Ó cofundador e CEO do Telegram, Pavel Durov, voltou a atacar publicamente o WhatsApp, colocando em dúvida a segurança da criptografia da plataforma.
Em uma postagem na rede social X, Durov afirmou que a proteção oferecida pelo rival não é confiável. “A ‘criptografia’ do WhatsApp é talvez a maior fraude contra consumidores da história — enganando bilhões de usuários”, escreveu ele. “Apesar do que afirma, (o WhatsApp) lê as mensagens dos usuários e as compartilha com terceiros. O Telegram nunca fez isso e nunca fará”..
A “criptografia” do WhatsApp pode ser a maior fraude ao consumidor da história – enganando bilhões de usuários. Apesar das suas afirmações, lê as mensagens dos utilizadores e partilha-as com terceiros. O Telegram nunca fez isso – e nunca fará 🤝 pic.twitter.com/2DYguybgoU
-Pavel Durov (@durov) 9 de abril de 2026
Na sequência, o executivo direcionou críticas ao sistema de backup do aplicativo. Segundo ele, grande parte das mensagens trocadas acaba sendo armazenada sem proteção adequada em serviços de nuvem. “A alegada ‘encriptação de ponta a ponta’ do WhatsApp é uma fraude gigantesca contra o consumidor: cerca de 95% das mensagens privadas no WhatsApp acaba em cópias de segurança em texto simples nos servidores da Apple e da Google, sem encriptação de ponta a ponta”, afirmou. “A encriptação da cópia de segurança é opcional e poucas pessoas a ativam, muito menos usam palavras-passe fortes”.
Durov também afirmou que, mesmo quando o usuário ativa a proteção dos backups, o risco continua por causa dos contatos. “Acrescente-se ao fato de que o WhatsApp armazena e divulga com quem você conversa e o cenário é alarmante”, disse. “A Apple e o Google divulgam a terceiros mensagens em backups do WhatsApp milhares de vezes por ano. Enquanto isso, o Telegram não divulgou um único byte das mensagens de seus usuários em seus mais de 12 anos de história”.
Essa não é a primeira vez que o executivo faz críticas ao WhatsApp. Em outras ocasiões, ele já declarou que o aplicativo “nunca será seguro” e o classificou como “uma imitação barata e diluída do Telegram”. “Há anos que tentam desesperadamente copiar as nossas inovações enquanto queimam milhares de milhões em lobbying e campanhas de relações públicas para nos abrandar”, afirmou. “Falharam. O Telegram cresceu, tornou-se lucrativo e, ao contrário do nosso concorrente, mantivemos a independência”.
As declarações surgem em meio a um processo contra a Meta, dona do WhatsApp, nos Estados Unidos. A ação acusa a empresa de conseguir “armazenar, analisar e aceder a virtualmente todas as conversas alegadamente privadas dos utilizadores do WhatsApp”.
De acordo com a Bloomberg, o processo foi apresentado por um grupo internacional de usuários, incluindo pessoas da Austrália, Brasil, Índia, México e África do Sul. Os autores afirmam que obtiveram informações por meio de denunciantes internos, mas não detalharam as fontes.
Os denunciantes sustentam que, apesar da criptografia de ponta a ponta, a Meta teria acesso ao conteúdo das mensagens trocadas na plataforma.
Em resposta, a empresa negou as acusações. “Qualquer alegações de que as mensagens das pessoas no WhatsApp não são encriptadas são categoricamente falsas e absurdas”, informou em comunicado. “Há dez anos que o WhatsApp tem encriptação de ponta a ponta usando o protocolo da Signal. O processo é uma obra de ficção sem fundamento”.
A Meta também afirmou que pretende adotar medidas legais contra os responsáveis pela ação, que buscam transformar o caso em uma ação coletiva envolvendo mais de 2 bilhões de usuários do aplicativo.


