sexta-feira, setembro 25, 2026

Dinheiro público: remédio contra câncer era superfaturado em quase 4.000 % em Campo Grande

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Constatação da Operação ”Oncojuris”, que apurou fraude na Saúde pública de MS, dá conta que alguns medicamentos eram superfaturados em cerca de 3 mil por cento. A investida policial contra uma quadrilha da Capital aconteceu nesta quinta-feira (23), em Mato Grosso do Sul e São Paulo. 

A investigação começou assim que a Defensoria Pública de MS observou inconsistências em processos judicais que pediam medicamentos de alto custo para pacientes do Estado. Quem trouxe os dados foi a coordenadora do Núcleo de Saúde da Defensoria Pública de MS, Eni Maria Sezerino Diniz. Ela comentou que o grupo entrava com ações judiciais para conseguir os medicamentos.

”Tinha processo que o valor real do remédio custava R$ 1.500, mas o Estado pagava R$ 56 mil”, causando um prejuízo aos cofres públicos’’, lamentou Diniz. Em outro trecho, a autoridade constatou, junto de pacientes atendidos pela Defensoria, que muitos dos remédios usados não tinham registro nas autoridades sanitárias brasileiras, vinham de paises como índia, Paquistão e Turquia, com importação suspeita e sem possibilidade de rastreio. 

Advogado Guilherme Leza também foi preso (Foto: rede social)

A estimativa é que houve desvio de R$ 78 milhões dos cofres públicos nos últimos 12 meses. No entanto, o montante total desviado pela quadrilha ainda não foi estimado. Fato grave também divulgado pelas autoridades é o de saúde público; há chances de pacientes terem morrido por ingerirem remédios de origem duvidosa. 

Escritório de Altair Malhada foi revistado (Foto: Divulgação PCMS)

Polícia 

Detactada a suspeita, a DPMS acionou a Polícia Civil, Ministério Público, Vigilância Sanitária e Receita Federal, esta última em razão de suspeitas no processo de importação desses medicamentos. A delegada titular da Dracco – Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado – Ana Cláudia Medina – também prestou esclarecimentos sobre a investigação, iniciada em setembro de 2025, sobretudo a descoberta dos diversos núcleos da quadrilha, que eram organizados e tinham divisão de tarefas bem estabelecida. 

”Tinha o núcleo administrativo, composto por servidores exonerados da Secretaria de Saúde. Eles direcionavam orçamentos e subsidiando órgãos públicos com informações e dando legalidade para a aquisição desses medicamentos”, detalhou Ana Cláudia. 

Ainda segundo Medina, havia também o ‘’núcleo jurídico’’, que tinha a missão  apresentar ações judiciais e inserindo nos processos as figuras de ”terceiros interessados” na obtenção dos medicamentos. Também apresentavam outros fornecedores para terem benefíciois no processo. 

Os advogados Altair Penha Malhada e Victor Guilherme Leza foram presos e tiveream imóveis ligados a eles vasculhados pela manhã. Os dois seriam membros do ”núcleo jurídico” do bando. 

Havia também, diz a Dracco, o ‘’núcleo empresarial’’, que eram empresas locais que disputavam para conquistar esses medicamentos e receber dinheiro público. 

”Porém, sequer tinham licença para participara nessa atuação”, completou Medina. Por fim, foi revelado o núcleo da ”assessoria de importação”, que tinham protocolos de importação que destoam dos padrões normais. 

O espaço está aberto para manifestação dos citados. 

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