A dor da família do pequeno Kalebe Josue da Silva, de apenas 1 ano, tem contornos ainda mais dramáticos. A trágica morte do bebê, investigada por suspeita de maus-tratos e estupro, ocorreu em meio a outro luto: um dia antes do enterro da criança, ocorrido nesta sexta-feira (1º), a família havia sepultado o bisavô materno do menino.
O idoso, que já tinha idade avançada, faleceu de causas possivelmente naturais. O sepultamento do patriarca ocorreu na quinta-feira (30), a mesma data em que o pequeno Kalebe, internado em estado gravíssimo desde a terça-feira (28), não resistiu aos ferimentos e teve o óbito confirmado no hospital.
O “luto duplo” em um intervalo de poucas horas devastou os parentes, que precisaram reunir forças para organizar o segundo velório da semana.
Despedida tensa e sob escolta
Se o enterro do bisavô foi um momento de tristeza pela despedida de uma longa vida, o velório de Kalebe, realizado em Terenos, foi tomado pela revolta, indignação e por um clima de extrema tensão.
A mãe do bebê, que está presa de forma preventiva, obteve autorização da Justiça para comparecer à cerimônia. Ela chegou ao local sob forte escolta policial, o que gerou um princípio de tumulto. Revoltados com a suspeita de que a criança tenha sido torturada e abusada dentro de casa, amigos e conhecidos que estavam no local passaram a xingar a mulher.
A confusão só foi apaziguada quando um dos presentes tomou a palavra e pediu respeito ao momento de dor. A pessoa ressaltou que as investigações ainda não foram concluídas e levantou a possibilidade de que a mãe também fosse uma vítima de violência doméstica, subjugada pelo companheiro.
Com os ânimos controlados e a pedido das autoridades que faziam a escolta, o salão principal foi esvaziado para que a mãe pudesse ter um momento sozinha com o caixão do filho. Visivelmente abalada, ela chorou muito antes de ser reconduzida à viatura e retornar à prisão.
Investigação em andamento
O caso segue sob responsabilidade da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). A mãe e o padrasto de Kalebe foram presos em flagrante após a Polícia Militar ser acionada por uma motorista de aplicativo, que levou a mulher do serviço para casa no dia em que o bebê precisou ser socorrido. Ele estava em uma casa no bairro Santa Luzia, em Campo Grande.
Em depoimento, mãe e padrasto negaram os crimes, mas apresentaram versões que não convenceram a polícia em um primeiro momento. A mãe alegou que estava trabalhando e deixava o filho aos cuidados do companheiro, afirmando que “nunca imaginou” que ele pudesse cometer as agressões e o estupro apontados pelos médicos.
Já o padrasto alegou que deixou o menino sozinho no banho para buscar uma toalha e o encontrou caído e machucado. Ele disse desconhecer as lesões na região da virilha e afirmou que já viu a mãe bater no menino para “corrigi-lo”, mas de forma leve.


