A inanição da prefeitura diante da buraqueira na cidade já era motivo de desconfiança por parte de vereadores de Campo Grande. Parlamentares chegaram a pedir convocação de dois secretários para explicar onde estava o dinheiro para o serviço. A Operação ‘Buraco Sem Fim”, deflagrada nesta terça-feira (12), sugere que fraudes prejudicavam o serviço na cidade.
Foram várias as investidas de parlamentares contra a prefeitura. Flávio Cabo Almi, Carlão Comunitário, Papy, Luiza Ribeiro, Jean Ferreira e Landmark Rios.
Em outubro de 2025, Flávio comentou o caso em sessão na Casa. À época, ele acionou o então secretário de Infraestrutura, Marcelo Miglioli para explicar o motivo da lentidão do tapa-buraco na cidade. No entanto, em conversas com Carlão, teve a iniciativa de convidar e ou até convocar a então chefe das finanças da cidade, Márcia Helena Hokama.
”Vamos solicitar e pdir que a Marcia Hokama a estar junto com o secretário Miglioli”, disse o vereador Flávio. Papy, o presidente da Casa, fez um aparte e parabenizou o colega pela atitude, dizendo ser necessário fazer o esclarecimento sobre o dinheiro da manutenção da cidade.
”Quando você retira dinheiro do pagamento da manutenção da cidade, é condenar o cidadão a estourar os pneus dos carros e pior, colocar em risco a população que trafega nas nossas ruas, motociclistas, ônibus, caminhões, carros…”, desabafou Papy.
O presidente da Câmara citou que os acidentes de trânsito relacionados aos buracos haviam aumentado muito.
”É para ela (então secretária) explicar por que não tem recurso para a manutenção básica do asfalto… ”, disse o chefe do Legislativo.
Carlão fez coro aos lamentos dos colegas e observou que o foco das cobranças da Casa tem de ser em cima dos serviços públicos emergenciais, justamente o tapa-buracos.
Operação
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio de forças especiais como o Gecoc e o Gaeco, deflagrou nesta terça-feira (12) a Operação “Buraco Sem Fim”, que investiga um esquema de fraudes em contratos de manutenção de vias públicas em Campo Grande.
Ao todo, foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão. Durante as buscas, os agentes encontraram grandes quantias em dinheiro vivo, que somam pelo menos R$ 429 mil, incluindo R$ 186 mil na casa de um servidor e R$ 233 mil em outro endereço.
Segundo o MPMS, a investigação aponta a existência de uma organização criminosa responsável por fraudar medições e pagamentos de serviços de tapa-buracos, resultando em desvio de recursos públicos e prejuízo à qualidade das vias da Capital.
Os levantamentos indicam que a empresa investigada recebeu mais de R$ 113 milhões em contratos e aditivos entre 2018 e 2025. As apurações seguem em sigilo.
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