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Defesa de João admite assassinatos de mãe e bebê e foca em evitar excessos na condenação (vídeo)

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O advogado Renato Franco afirmou, na manhã desta quarta-feira (27), que a estratégia da defesa de João Augusto Borges de Almeida durante o julgamento em júri popular será reconhecer os assassinatos de Vanessa Eugênia Medeiros e da filha dela, Sophie Eugênia Borges de Medeiros, mas tentar afastar o que considera “excessos acusatórios” do processo.

Em entrevista antes do início da sessão, o defensor disse que a equipe não pretende negar os crimes e que o objetivo é buscar uma condenação “na medida da culpabilidade” do réu.

“Nós não fazemos a defesa do impossível. A conduta dele resultou na morte de duas pessoas, a Vanessa e uma criança de 10 meses de idade”, declarou Renato Franco.

Segundo o advogado, a defesa entende que algumas teses apresentadas pelo Ministério Público na denúncia e mantidas na pronúncia extrapolam os fatos praticados por João Augusto. Por isso, a atuação dos defensores será concentrada em retirar pontos que consideram excessivos para reduzir a pena aplicada pelo Conselho de Sentença.

Renato Franco também afirmou que João colaborou desde o início das investigações e deve manter a postura durante o julgamento. Conforme relatado pelo advogado, o acusado falou espontaneamente à polícia, ainda sem a presença da defesa, e detalhou a dinâmica do crime às autoridades.

“O delegado inclusive deu entrevista dizendo que ficou chocado com a clareza e a riqueza de detalhes de como ele agiu”, afirmou.

Ao ser questionado sobre declarações atribuídas ao acusado logo após o crime, entre elas a de que teria “dormido melhor” depois dos assassinatos, Renato Franco afirmou que as falas ocorreram em um momento de “forte descarga emocional” e que não seria possível esperar uma reação racional de alguém que havia acabado de cometer um crime considerado bárbaro.

A defesa também revelou que solicitou, ainda durante a fase processual, um exame de insanidade mental para avaliar se João tinha capacidade racional de compreender os atos no momento do crime. O pedido, porém, foi negado pela Justiça.

Segundo Renato Franco, a avaliação seria necessária para analisar as condições psicológicas do réu e verificar se ele tinha plena compreensão do que fazia. Mesmo assim, o advogado reconheceu que, após o indeferimento do pedido, a tese de inimputabilidade não será debatida no julgamento.

O crime

O caso aconteceu em 26 de maio de 2025 e provocou forte comoção em Campo Grande e em todo o país. Conforme a denúncia do Ministério Público, João matou Vanessa com um golpe conhecido como “mata-leão” e, em seguida, esganou a filha de apenas 10 meses enquanto ela estava sobre a cama do casal.

Após os assassinatos, ele teria retornado normalmente ao trabalho. Mais tarde, colocou os corpos no porta-malas do carro, comprou gasolina e levou mãe e filha para uma área afastada no Bairro Nova Campo Grande, onde ateou fogo nos cadáveres para tentar ocultar o crime.

Os corpos carbonizados foram encontrados na noite do mesmo dia em um terreno na Rua Desembargador Ernesto Borges. Segundo a perícia, os cadáveres estavam irreconhecíveis. Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de a bebê permanecer sobre o corpo da mãe mesmo após a carbonização.

João Augusto foi preso em flagrante enquanto tentava registrar um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento de Vanessa e Sophie em uma delegacia da Capital. A polícia suspeita que ele pretendia simular que a companheira havia fugido com a filha.

Durante o interrogatório, segundo os autos, o acusado confessou o crime sem demonstrar arrependimento. Questionado pelos policiais, afirmou que “dormiu melhor que sempre” porque havia se “livrado de um problema”.

O Ministério Público denunciou João Augusto por dois feminicídios qualificados e por ocultação e destruição de cadáveres. Entre as qualificadoras apontadas estão motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa das vítimas e o fato de Sophie ser menor de 14 anos.

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