Campo Grande – A chegada do inverno, iniciada em 21 de junho de 2026, traz consigo a previsão de temperaturas abaixo de zero e geadas em várias regiões de Mato Grosso do Sul, reacendendo o alerta para pecuaristas após as perdas registradas em maio. A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) confirmou a morte de 83 bovinos por hipotermia durante a onda de frio do mês passado, distribuídas em cinco propriedades rurais da região sul do estado.
Do total de óbitos, 74 animais foram perdidos em quatro fazendas localizadas em Nova Andradina, enquanto nove morreram em uma propriedade de Angélica. As mortes ocorreram principalmente entre os dias 22 e 27 de maio, resultado da combinação de baixas temperaturas, chuva persistente e vento forte, que levou os animais à hipotermia ao permanecerem expostos em campos abertos sem proteção adequada.
Em 2025, não houve qualquer registro de mortes de bovinos por hipotermia no estado, o que demonstra a severidade incomum do evento deste ano. O diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, enfatizou a importância da prevenção: “Não deixe os seus animais em campos abertos, é preciso que eles estejam minimamente protegidos por árvores, bosques ou capão de mato onde ele possa se esconder. No frio, vem a chuva e o vento e realmente é um problema sério”.
A agência publicou nota técnica com orientações detalhadas para o conforto térmico dos rebanhos. Entre as recomendações estão o recolhimento dos animais em piquetes com capões de mata ou barreiras naturais e artificiais contra correntes de ar frio, evitar áreas próximas a corpos d’água, abrigar indivíduos debilitados ou mais sensíveis em currais próximos e promover alimentação suplementar com forragens, volumosos ou concentrados para compensar a redução de pastagens e auxiliar na recuperação do estresse fisiológico.
A Iagro esclarece que não existe indenização por parte do Estado em casos de morte por hipotermia, reforçando que os cuidados preventivos são de total responsabilidade dos produtores rurais. Especialistas destacam que a falta de abrigo adequado e a exposição prolongada ao frio são os principais fatores para esses incidentes, especialmente em bezerros e vacas recém-paridas, categorias mais vulneráveis.
Com a nova estação marcada por chuva e frio intenso segundo a Climatempo, a expectativa é que pecuaristas adotem as medidas recomendadas para evitar novas perdas. O episódio de maio serve como alerta para o setor, que representa uma das principais atividades econômicas de Mato Grosso do Sul. A preparação para eventos climáticos extremos permanece um desafio, mas ações simples de manejo podem reduzir significativamente os impactos na pecuária estadual.

