É comum filhos ouvirem que puxaram os olhos, sorriso, o jeito de andar ou falar dos pais. Mas, além das características que podem ser percebidas no espelho, existe outro tipo de ‘herança’ que passa pelas gerações e nem sempre é tão fácil de ser identificada: a predisposição para doenças.
No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), um assunto tão importante quanto as histórias compartilhadas na mesa do almoço ou jantar, é o tema do histórico de saúde da família. Doenças como hipertensão, colesterol alto, diabetes e infarto precoce são exemplos que podem aparecer com mais frequência em determinadas pessoas devido à genética.
Segundo o cardiologista Max Wagner de Lima, a genética pode aumentar o risco de desenvolvimento de uma doença, mas outros fatores como alimentação, atividade física, sono, tabagismo, estresse, peso corporal e controle da pressão, também influenciam na saúde de cada pessoa.
De forma prática, cada filho recebe aproximadamente metade do material genético do pai e outra metade da mãe. Algumas características e doenças estão relacionadas a alterações em um único gene, mas a maioria dos problemas cardiovasculares é resultado da combinação de diferentes fatores, como explica o especialista.
Por isso, ter um pai que sofreu um infarto não significa necessariamente que o filho também terá um. Entretanto, principalmente quando o problema aconteceu em uma idade jovem, esse histórico deve ser considerado um sinal de alerta para a prevenção.
A história familiar pode aumentar o risco de uma doença. Só que por outro lado, ajudar a definir quais cuidados precisam ser adotados e quando eles devem começar.
Rastreamento de doenças entre familiares salva vidas
Outro exemplo que merece atenção entre pais e filhos é a hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que pode provocar níveis muito elevados de colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) desde a infância.
Na maioria das vezes, essa condição não apresenta sintomas e faz com que a pessoa passe até décadas com o colesterol alto sem saber o motivo. Em algumas famílias, o primeiro sinal pode ser justamente um infarto ou outro problema cardiovascular ainda jovem.
Quando a doença é identificada em um integrante da família, pais, irmãos e filhos também devem ser avaliados, como alerta o cardiologista. Esse processo é chamado de rastreamento em cascata e pode ajudar a encontrar precocemente outros familiares que apresentam o mesmo risco.

Outro fator que merece atenção é a lipoproteína(a), que tem níveis fortemente determinados pela genética e podem ajudar a explicar por que algumas pessoas desenvolvem doenças cardiovasculares mesmo quando mantêm hábitos aparentemente adequados.
Algumas cardiomiopatias, doenças da aorta, alterações elétricas do coração e determinadas formas de morte súbita também podem apresentar um componente hereditário importante. Nesses casos, a avaliação dos familiares não deve esperar pelo aparecimento de sintomas.
Perguntas que podem ajudar a descobrir o histórico da família
Neste domingo, o tema de saúde pode ser o principal entre os familiares nas comemorações de Dia dos Pais. Mais do que saber apenas que existe “problema de coração” na família, é importante descobrir qual foi a doença e em que idade ela apareceu.
Converse com pais, avós, irmãos e outros familiares e tente descobrir:
- 1
Alguém da família teve infarto ou derrame? Em qual idade?
- 2
Houve casos de morte súbita ou morte sem explicação?
- 3
Existem familiares com colesterol muito alto, hipertensão ou diabetes?
- 4
Alguém precisou colocar marca-passo ou desfibrilador?
- 5
Há casos de aneurisma, aumento do coração ou insuficiência cardíaca?
- 6
Alguma doença cardiovascular apareceu antes dos 55 anos entre os homens ou antes dos 65 anos entre as mulheres?
O que também pode ser herdado dentro de casa
Apesar da força da transmissão genética entre familiares, esse fator significa uma sentença de vida ou que a pessoa esteja condenada a repetir a história do pai.
Histórico familiar, segundo Max Wagner, não diz respeito apenas aos genes, mas também o que as pessoas compartilham dentro de casa, como alimentação, rotina e comportamentos.
Um filho pode herdar do pai uma predisposição à hipertensão, como pode aprender com ele hábitos que aumentam esse risco: alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo ou a falta de acompanhamento médico.
Vale lembrar que o contrário também acontece. A família pode ensinar a importância de praticar exercícios, manter uma alimentação equilibrada, fazer exames preventivos e procurar atendimento quando necessário.
Por isso, conhecer a saúde de pais, avós e irmãos pode fornecer informações importantes que nenhum exame isolado consegue substituir.

