A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste domingo (9) que manterá o bloqueio ao Estreito de Ormuz por tempo indeterminado e condicionou a reabertura da principal rota marítima de transporte de petróleo do mundo à aceitação integral das exigências apresentadas por Teerã aos Estados Unidos. Segundo o porta-voz da corporação, Hossein Mohebi, a região passou a ser considerada um “verdadeiro cenário de guerra”.
As condições para o fim do bloqueio foram divulgadas no sábado (8) por Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. Entre as exigências estão o levantamento imediato do bloqueio naval e das sanções econômicas impostas ao país, a retirada das forças militares americanas das proximidades do território iraniano, o pagamento de reparações de guerra e a liberação de ativos iranianos congelados. O governo iraniano também exige o fim dos ataques contra aliados regionais e o encerramento das ameaças direcionadas ao país.
O bloqueio do Estreito de Ormuz foi adotado como resposta a ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel ocorridos em fevereiro deste ano. Embora um cessar-fogo tenha sido estabelecido em junho, o acordo deixou de produzir efeitos diante de interpretações divergentes sobre os termos considerados vagos. O governo americano condicionava a suspensão total das sanções ao compromisso do Irã de não produzir armas nucleares e de abandonar o enriquecimento de urânio em níveis elevados.
Durante visita a Manila, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificou o controle iraniano sobre o estreito como um “precedente perigoso” e voltou a acusar Teerã de ameaçar a segurança marítima internacional.
A continuidade do bloqueio amplia as preocupações sobre o abastecimento global de petróleo e pode provocar alta nos preços internacionais da energia. Nos Estados Unidos, o aumento dos custos dos combustíveis também é apontado como um fator de impacto político para o Partido Republicano nas eleições de meio de mandato previstas para novembro.
Apesar do impasse com Washington, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, informou que Teerã mantém negociações com Omã para estabelecer uma passagem marítima temporária e segura. Segundo o governo iraniano, um eventual acordo poderá reduzir parte da pressão sobre o comércio regional, embora a reabertura total do Estreito de Ormuz permaneça condicionada à aceitação das exigências apresentadas aos Estados Unidos.
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