A Polícia Civil concluiu a investigação sobre o sequestro da bebê de um mês em Campo Grande (MS), que terminou com três pessoas presas. O crime ocorreu no dia 6 de agosto, e a menina foi localizada três dias depois, no Paraguai.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (14), a delegada Anne Karine, da Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Depca), detalhou o crime cometido por um casal da capital.
Inicialmente, a mãe da bebê e a irmã dela, ambas adolescentes, chegaram à unidade policial narrando que a sequestradora, de nome Carol, teria levado a criança em virtude de um acerto de drogas, mas que faria o possível para devolver a bebê para a jovem.
A polícia iniciou a investigação e descobriu que o nome da suspeita era falso. Ao ter em mãos a verdadeira identificação da sequestradora, passaram a fazer buscas para localizá-la.
“Conversando com a mãe da criança, nós tomamos conhecimento que a sequestradora, durante aproximadamente um mês atrás, veio ganhando a confiança da adolescente com doação de roupinhas, fraldas e visitas na casa. [Ela] demonstrou ser uma pessoa muito solícita e assim foi conquistando a família e a adolescente”, disse Anne.

Para concretizar o crime, Suzilaine da Graça Costa afirmou à jovem que produzia fotos de bebês recém-nascidos. Porém, o plano foi frustrado, uma vez que no dia em que o sequestro ocorreria, estava frio e a família da criança impediu que ela saísse de casa.
No dia seguinte, a mulher simulou um compromisso e ofereceu R$ 100 para que a adolescente cuidasse da bebê que ela alegava ter.
“Ela [a suspeita] dizia que tinha um bebê de 6 meses, mas que na verdade depois nós descobrimos que era a neta dela. Mas até aquele momento a vítima, a adolescente, mãe da criança, acreditava inclusive que ela estava com uma cesárea”, declarou a delegada.
Diante disso, Suzilaine chamou um carro de aplicativo para a adolescente e a irmã dela irem até uma residência, onde cuidariam da suposta criança. Nesse local, a mulher colocou as irmãs e a bebê no carro, mas deixou as jovens em um matagal, fugindo com a recém-nascida que, à época dos fatos, estava com 28 dias de vida.
Foi a partir daí que a mulher, acompanhada do marido, decidiu fugir para a fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. A viagem de carro dura, em média, 4 horas.

O resgate
Assim que a polícia descobriu o endereço do cativeiro em Campo Grande, cercou o local e prendeu um homem. O suspeito afirmou que alugou a casa para a mulher por R$ 1 mil, mas que não sabia do sequestro.
A investigação continuou até a descoberta de que o casal estaria em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Entre sexta-feira (7) e sábado (8), a polícia monitorou a residência para ter certeza que os envolvidos estariam lá.
“Nós pedimos apoio à polícia do Paraguai para que cumprisse uma busca na residência. Foi quando eles entraram na casa e conseguiram localizar a sequestradora,o marido e a bebê, que estava bem e estava viva. Nosso medo também era de encontrá-los, mas não com vida”, pontuou Anne Karine.
Com o resgate da criança, iniciou-se um trabalho de cooperação entre os países para trazê-los de volta ao Brasil. O casal foi apresentado na delegacia de Ponta Porã, onde permanece preso. Já a bebê foi entregue ao Poder Judiciário, que realizou a devolução à mãe na tarde de quinta-feira (13).

Sequestro para manter o casamento
Ao ouvir os envolvidos, a polícia descobriu que o crime foi premeditado. Suzilaine planejou o sequestro, pois tinha o intuito de ter uma filha. Ela chegou a buscar outras gestantes que dariam luz na mesma época que a adolescente, mas escolheu a jovem pelo fato da bebê ser uma menina.
“Ela buscou, ela arquitetou tudo isso durante um bom tempo para conseguir ter a posse da bebê. Ela tinha intenção [do sequestro] para sustentar o casamento dela”.
Apesar de todos os fatos terem sido esclarecidos, a mulher continua afirmando à polícia que pegou a criança devido a uma dívida de droga. Porém, a tese já foi descartada pela investigação, além de confirmar que não há participação de membros de facção criminosa no caso, nem intenção da mãe em doar ou vender a criança de forma espontânea. O que ficou confirmado é que, de fato, houve o sequestro.
Outro ponto descoberto pela polícia é que Suzilaine mentiu à família e ao marido sobre uma suposta gravidez. No interrogatório, ela chegou a dizer que ficou gestante, mas que perdeu a criança durante um aborto e que realizou a curetagem na Santa Casa. Equipes da Depca investigaram o fato e descobriram que isso, assim como as outras informações, também não procedia.

Caso isolado
A Polícia esclareceu à imprensa, também, que o caso é isolado e que mães e bebês de Mato Grosso do Sul podem ficar tranquilos, uma vez que a situação não se trata de sequestro para tráfico internacional de crianças.
“Não se trata de venda. Ela foi sequestrada pontualmente, foi programado o sequestro dessa bebê com as características dela, com a data de nascimento dela. Então, ele é um caso isolado. Ela queria, para talvez preservar o casamento, inventou toda essa história e subtraiu a criança.”, afirmou a delegada.
Apesar disso, a polícia orienta que a população tenha cautela e tome cuidado com estranhos que se aproximem demais da família repentinamente.
“Tem que ter cautela, cuidado, não acreditar em todo mundo. Isso para qualquer tipo de caso. Analisar bem quem está se aproximando, por que está se aproximando.Ter um certo cuidado com vários benefícios que está recebendo”, destacou a autoridade.
Com a investigação finalizada, o inquérito será formado em até 30 dias e levado ao Poder Judiciário, que dará andamento ao caso. Ao todo, três pessoas vão responder pelo crime de sequestro, sendo a mulher, o marido dela e o homem que locou o cativeiro.

