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Segurança que chega à rotina: MS reduz roubos e mira crimes que ainda resistem

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O empresário e membro do Rotary Clube, José Luiz Kreutz acompanha a segurança pública de duas perspectivas: na Avenida Hiroshima, em Campo Grande, onde fica a instituição que faz parte. Já como morador da Capital, acompanha também o trabalho policial na área atendida pelo 11º Batalhão da Polícia Militar.

Conforme divulgação do candidato Eduardo Riedel (PP), é desse cotidiano que ele extrai uma percepção que, para além das estatísticas oficiais, traduz como a segurança chega à vida das pessoas.

''Como presidente de uma fundação localizada na Avenida Hiroshima, em Campo Grande, posso confirmar o bom patrulhamento que está sendo desenvolvido nesta região. Posso falar também sobre o trabalho do 11º Batalhão, que responde pela região onde moro. Ano após ano, a segurança vem melhorando'', afirma.

Dados

Ainda segundo a divulgação, a percepção de Kreutz encontra correspondência nos números. Em Mato Grosso do Sul, os roubos caíram 15,9% em 2025, passando de 3.130 para 2.631 ocorrências. Houve redução de 21,3% nos roubos ao comércio, 17,4% nos cometidos em vias urbanas, 11,5% nos roubos de veículos e 8,9% nas ocorrências em residências.

São números que ganham outra dimensão quando traduzidos para a rotina: menos estabelecimentos assaltados, menos pessoas abordadas violentamente nas ruas e menos famílias surpreendidas dentro de casa.

Os furtos também recuaram, mas em ritmo muito menor. Foram 32.739 registros em 2025, diante de 33.265 no ano anterior, redução de 1,6%. A diferença entre os dois indicadores ajuda a mostrar tanto os resultados alcançados quanto um dos problemas que ainda desafiam a política estadual de segurança.

Sob a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, a estratégia tem combinado presença policial, reorganização territorial, inteligência, equipamentos, análise de dados e integração entre as forças de segurança da Capital, do interior e da região de fronteira.

Menos violência e mais capacidade de resposta

A queda dos crimes patrimoniais violentos ocorre ao mesmo tempo em que Mato Grosso do Sul registra redução da violência letal. Segundo o Atlas da Violência 2026, foram estimados 566 homicídios no Estado em 2024, ante 602 no ano anterior, retração de 6%. A taxa ficou em aproximadamente 20 mortes por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 23,4.

Os resultados coincidem com uma série de medidas adotadas na segurança pública, entre elas a ampliação dos setores de policiamento em Campo Grande, o fortalecimento do Batalhão Rural, operações integradas na fronteira, formação de novos policiais, renovação da frota e expansão do uso de videomonitoramento e análise de dados.

A proposta do Governo é transformar essas iniciativas em uma política continuada, na qual os indicadores sirvam não apenas para contabilizar ocorrências, mas para identificar onde a atuação funciona e onde precisa ser corrigida.

''A proposta é acompanhar indicadores, reforçar as medidas que produzem resultado e corrigir a atuação nos pontos em que a criminalidade permanece resistente'', afirma Riedel.

Essa lógica também aparece na experiência relatada por Kreutz. Para ele, o investimento público precisa caminhar ao lado da participação dos moradores, especialmente no registro das ocorrências.

''Muitas pessoas se queixam de pequenos furtos, porém sempre digo: se não registra boletim de ocorrência, não tem como o poder público adivinhar e registrar o problema no mapa da mancha criminal. Todos nós somos responsáveis pela segurança pública. Precisamos caminhar lado a lado para que os resultados sejam satisfatórios'', diz.

O registro é particularmente importante em crimes menos visíveis e pulverizados, como os furtos, justamente o indicador que apresentou redução mais discreta.

O desafio dos crimes cotidianos

A diferença entre a queda de 15,9% nos roubos e de apenas 1,6% nos furtos revela uma das tarefas do próximo ciclo da segurança pública.

Furtos de celulares, cabos, máquinas, equipamentos e objetos retirados de veículos ou residências possuem dinâmica diferente dos roubos. Muitas vezes ocorrem sem contato entre autor e vítima e de maneira dispersa, o que exige estratégias que vão além da presença ostensiva nas ruas.

O enfrentamento passa pela investigação, identificação de reincidentes, monitoramento territorial e combate à receptação.

''A lógica é atingir não apenas quem pratica o furto, mas também os canais que tornam economicamente atraente a venda de cobre, celulares, peças e equipamentos de origem criminosa'' explica Riedel.

O desafio é aplicar aos furtos parte da inteligência já utilizada no combate a roubos, tráfico e crime organizado: identificar locais e horários de maior incidência, objetos mais procurados e possíveis canais de revenda, além de acompanhar a investigação e a recuperação dos bens.

Cada crime exige uma estratégia

Essa diferenciação orienta a atuação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Segundo o secretário-executivo da pasta, coronel Wagner Ferreira da Silva, modalidades criminosas distintas não podem receber respostas idênticas.

''Esses crimes exigem estratégias diferentes porque possuem motivações, dinâmicas e ambientes operacionais completamente distintos. São fenômenos sociais totalmente distintos'', afirma.

Enquanto furtos e roubos estão fortemente relacionados à dinâmica urbana e patrimonial, crimes contra a vida exigem leitura de fatores que envolvem conflitos interpessoais e domésticos, impulsividade, motivos fúteis, criminalidade organizada e mercados ilícitos.

Para aprofundar essa leitura, a Sejusp passou a contar com um Observatório de Segurança Pública, voltado à análise quantitativa e qualitativa dos indicadores.

''A recente instituição de um Observatório de Segurança Pública, no âmbito da Sejusp, tem servido para uma análise quantitativa e qualitativa destes dados'', explica Wagner Ferreira. Segundo ele, o objetivo é combinar estatísticas com a experiência acumulada pelas forças policiais e com a percepção da própria sociedade.

''Isso nos permite inserir nas análises muito da expertise policial, da sensibilidade do analista e da percepção da sociedade, ampliando a capacidade de monitorar a realidade e ajustar as estratégias de prevenção e repressão ainda em curso'', acrescenta.

Violência contra mulheres exige resposta própria

Também foi dito que, se os indicadores de roubos e homicídios gerais apontam melhora, o mesmo movimento não ocorreu com a violência contra as mulheres. Mato Grosso do Sul tem registrado altos índices de feminicídio.

E o problema não se resolve simplesmente com mais patrulhamento nas ruas. Grande parte das ocorrências se desenvolve no ambiente doméstico e exige acompanhamento de medidas protetivas, atendimento especializado e integração entre segurança pública, saúde, assistência social, Ministério Público e Justiça.

O Plano Estadual de Segurança Pública reconhece essa dificuldade e estabelece como meta reduzir a taxa de feminicídios para 2,32 vítimas por 100 mil mulheres até 2030. Reconhecer que determinados indicadores ainda caminham na direção contrária aos resultados gerais permite identificar onde políticas específicas precisam ser reforçadas.

''Não há balanço completo quando a melhora das ruas ainda não alcança com a mesma força o interior das casas”, afirma Riedel.

Planejamento com metas até 2030

A segurança pública estadual trabalha com horizonte que ultrapassa o ciclo imediato de gestão. A Sejusp mantém um Planejamento Estratégico e um Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social, ambos com metas até 2030 e acompanhamento periódico dos indicadores.

O planejamento estabelece como objetivo chegar ao fim da década com taxa de homicídios de 15,95 por 100 mil habitantes.
Além da meta de 2,32 feminicídios por 100 mil mulheres, há também a referência de reduzir as mortes no trânsito para 8,9 por 100 mil habitantes.

O Plano Estratégico Organizacional 2025–2030 reúne ações relacionadas à gestão, inteligência, tecnologia, formação, valorização profissional e redução da criminalidade. Enquanto o Plano Estadual define resultados pretendidos para a sociedade, o planejamento organizacional orienta o funcionamento das instituições para alcançá-los.

Em abril de 2026, a Sejusp instalou um comitê executivo para acompanhar projetos, identificar problemas operacionais e monitorar o Contrato de Objetivos firmado com as instituições vinculadas.
Para Wagner Ferreira, essas ferramentas permitem acompanhar a evolução da estrutura e ajustar a atuação ao longo do caminho.

''Estas ferramentas balizam as estratégias adotadas e nos dão um panorama do aperfeiçoamento das estruturas e funcionamento da segurança pública, entregando à sociedade ordem e paz'', afirma.

Na avaliação de Riedel, estabelecer metas torna também a atuação do Estado verificável ao longo do tempo.

''Permite que a política ultrapasse um mandato e seja avaliada pelo que conseguiu entregar, pelo que permanece em andamento e pelo que precisará ser corrigido'', aponta o governador.

Medir o que acontece depois do crime

O próximo desafio é fazer com que a avaliação da segurança pública avance além da simples contagem de ocorrências.
Para quem chama a polícia depois de um crime, importa saber quanto tempo uma viatura demorou para chegar. Para quem teve um celular, carro ou equipamento furtado, interessa saber se o bem foi recuperado. Para quem convive com crimes recorrentes em um bairro, interessa saber se os autores foram identificados e se deixaram de reincidir.

O mesmo raciocínio vale para a fronteira. Toneladas de drogas apreendidas representam cargas retiradas de circulação, mas uma avaliação mais ampla também precisa considerar lideranças presas, patrimônio bloqueado, redes financeiras identificadas e organizações criminosas desarticuladas.

Viaturas, policiais, câmeras e equipamentos são instrumentos. O resultado final precisa aparecer na capacidade de prevenir crimes, responder às ocorrências e reduzir riscos para a população.

É justamente nesse ponto que os números voltam à rotina observada por José Luiz Kreutz. O patrulhamento que ele percebe na Avenida Hiroshima e na região onde mora representa a face cotidiana de uma estrutura muito mais ampla, sustentada por planejamento, inteligência e monitoramento.
Mato Grosso do Sul chega ao próximo ciclo com redução dos roubos e da violência letal, maior presença policial, estrutura renovada e integração das forças de segurança. Mas os próprios indicadores mostram que o trabalho permanece aberto.

''Furtos ainda recuam lentamente. A violência contra as mulheres exige respostas específicas. E os resultados precisam ser medidos não apenas por aquilo que deixou de acontecer, mas também pela rapidez e eficiência da resposta quando o crime ocorre'', orienta o governador.

Entre a estatística registrada no sistema e a sensação de quem abre o comércio pela manhã, volta para casa à noite ou acompanha uma viatura circulando pelo bairro, está o desafio central da segurança pública: fazer com que planejamento, investimento e inteligência sejam percebidos onde mais importam — na vida cotidiana das pessoas.

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