sábado, setembro 12, 2026

Exército de Israel mata três em raro bombardeio na Cisjordânia ocupada

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O Exército israelense informou que a operação tinha como alvo um membro do Hamas, grupo terrorista que controla a Faixa de Gaza, território palestino separado da Cisjordânia, por sua vez parcialmente governada pela Autoridade Palestina. O Fatah, partido político majoritário no órgão, é rival do Hamas.

O grupo terrorista condenou o ataque, mas não confirmou se as vítimas eram, de fato, membros da facção extremistas. Pelo menos um dos mortos fazia parte do braço armado da Jihad Islâmica, outro grupo extremista palestino que é aliado ao Hamas.

De acordo com emergencistas palestinos, soldados israelenses isolaram o local do bombardeio, prendendo médicos que tentaram prestar socorro e impedindo o transporte dos corpos. Israel não se pronunciou sobre a acusação.
O uso de ataques aéreos por parte de Israel na Cisjordânia é raro porque as Forças Armadas israelenses exercem controle militar absoluto no território palestino.

Após os acordos de Oslo dos anos 1990, a Cisjordânia foi dividida em três zonas. A zona A é governada pela Autoridade Palestina, cujo governo é liderado por Mahmoud Abbas, e é a única onde a polícia palestina pode atuar completamente, cuidando de crimes comuns.

Entretanto, desde 2002, após a Segunda Intifada, forças israelenses estão presentes na zona A com frequência quase diária, realizando o que chamam de “operações de contraterrorismo”. Além disso, as forças de segurança da Autoridade Palestina costumam colaborar com os israelenses em algumas dessas operações.

Já nas zonas B -de administração civil, mas não de segurança, palestina- e C -onde ficam os assentamentos judaicos-, o Exército de Israel exerce total controle. Esse arranjo significa que, ao contrário da Faixa de Gaza, onde não há controle completo do território, Tel Aviv não precisa fazer uso de bombardeios aéreos, uma medida muito mais destrutiva e cara do que operações de infantaria em solo.

O ataque desta sexta acontece em meio a tensões crescentes na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967. Ataques de colonos israelenses contra palestinos em zonas rurais vem aumentando, com mesquitas e casa vandalizadas e plantações de oliveiras destruídas.

Os colonos israelenses que vivem em assentamentos ilegais na região, se acusados de crimes, são julgados pela lei civil israelense. Já palestinos acusados de crimes relacionados à “segurança nacional” de Israel passam pelo crivo da lei militar daquele país. Esse fato é o cerne da acusação de entidades como a Anistia Internacional de que Israel comete o crime de apartheid na Cisjordânia.

Tel Aviv nega as acusações, dizendo que as diferenças de tratamento e direitos entre israelenses e palestinos se dão por preocupações legítimas de segurança e por uma questão de nacionalidade, não de raça -sem componente racial, não se pode falar em apartheid, de acordo com o direito internacional.

Os assentamentos, por sua vez, são ilegais perante o direito internacional porque a Convenção de Genebra proíbe um país que ocupa um território de transferir sua população para a região ocupada.

Israel se defende dizendo não estimular ou financiar o movimento inicial de colonos que criam assentamentos na Cisjordânia -embora forneça proteção militar, incentivos fiscais, respaldo jurídico e infraestrutura após o estabelecimento de um.

Hoje, cerca de 500 mil judeus vivem em assentamentos na Cisjordânia, e 250 mil, em Jerusalém Oriental ocupada. Os assentamentos são conectados por estradas que, em geral, não podem ser acessadas por palestinos -estes também sujeitos a controles militares e a outras restrições de movimento no território ocupado.

Ataques aéreos em Gaza também mataram cinco pessoas nesta sexta, de acordo com o Hamas.

Leia Também: Ucrânia diz ter atingido bombardeiro nuclear em base na Rússia

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