sábado, outubro 31, 2026

Amazônia perdeu 1,9 milhão de hectares de superfície de água por El Niño, aponta MapBiomas

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Um levantamento inédito da rede MapBiomas revela um cenário alarmante para o maior bioma do Brasil. Segundo o estudo, no trimestre entre setembro e novembro de 2024, período em que o fenômeno El Niño atingiu o país, a Amazônia registrou um déficit de 1,9 milhão de hectares de superfície de água em relação à sua média histórica (1985-2025).

A redução drástica da água não aconteceu por acaso. Durante o mesmo período, os pesquisadores identificaram que a temperatura máxima na região ficou 2,6 °C acima da média, enquanto o volume de chuvas foi 27% inferior ao normal.

Segundo especialistas da rede MapBiomas, esse “combo” climático aumenta a evaporação, fazendo com que o solo perca umidade mais rápido e a vegetação sofra um forte estresse hídrico. O impacto é visível na redução dos níveis dos rios, o que trava o transporte fluvial, dificulta o acesso à água potável e prejudica a pesca.

A extensão da crise hídrica é tão vasta que atingiu quase todas as áreas habitadas da região amazônica. Cerca de 93% das localidades analisadas pelo estudo — mais de 5,2 mil pontos, entre cidades, vilas e terras indígenas — ficaram a uma distância de no máximo 5 quilômetros de áreas que perderam superfície de água.

No total, 38% das localidades existentes na Amazônia foram classificadas em estado de “alta exposição à seca”. Entre os pontos mais críticos do bioma, destaca-se a localidade de Monte Real, em Mato Grosso, que registrou um dos cinco maiores déficits de chuva da Amazônia, com -351,9 mm/mês abaixo do esperado.

El Niño deve causar até seis ondas de calor até o fim deste ano, prevê Cemaden. - Foto: Gabi Braz/Primeira Página

Alerta para o final de 2026

O relatório serve como um aviso urgente para o futuro próximo. Previsões meteorológicas indicam uma alta probabilidade de um novo El Niño atingir a categoria de “muito forte” no último trimestre de 2026. Modelos climáticos já preveem chuvas abaixo da média e temperaturas até 1 °C acima do normal para esse período.

A vulnerabilidade atual da Amazônia também é reflexo de décadas de mudança no uso do solo. Entre 1985 e 2025, o bioma perdeu 14% de sua vegetação nativa (53,9 milhões de hectares). No mesmo intervalo, a área ocupada pela agropecuária saltou de 12,1 milhões para 65,3 milhões de hectares, o que altera o equilíbrio natural e deixa a região mais exposta a eventos climáticos extremos.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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