sábado, setembro 12, 2026

Amazônia perdeu 1,9 milhão de hectares de superfície de água por El Niño, aponta MapBiomas

Date:

Share

Um levantamento inédito da rede MapBiomas revela um cenário alarmante para o maior bioma do Brasil. Segundo o estudo, no trimestre entre setembro e novembro de 2024, período em que o fenômeno El Niño atingiu o país, a Amazônia registrou um déficit de 1,9 milhão de hectares de superfície de água em relação à sua média histórica (1985-2025).

A redução drástica da água não aconteceu por acaso. Durante o mesmo período, os pesquisadores identificaram que a temperatura máxima na região ficou 2,6 °C acima da média, enquanto o volume de chuvas foi 27% inferior ao normal.

Segundo especialistas da rede MapBiomas, esse “combo” climático aumenta a evaporação, fazendo com que o solo perca umidade mais rápido e a vegetação sofra um forte estresse hídrico. O impacto é visível na redução dos níveis dos rios, o que trava o transporte fluvial, dificulta o acesso à água potável e prejudica a pesca.

A extensão da crise hídrica é tão vasta que atingiu quase todas as áreas habitadas da região amazônica. Cerca de 93% das localidades analisadas pelo estudo — mais de 5,2 mil pontos, entre cidades, vilas e terras indígenas — ficaram a uma distância de no máximo 5 quilômetros de áreas que perderam superfície de água.

No total, 38% das localidades existentes na Amazônia foram classificadas em estado de “alta exposição à seca”. Entre os pontos mais críticos do bioma, destaca-se a localidade de Monte Real, em Mato Grosso, que registrou um dos cinco maiores déficits de chuva da Amazônia, com -351,9 mm/mês abaixo do esperado.

El Niño deve causar até seis ondas de calor até o fim deste ano, prevê Cemaden. - Foto: Gabi Braz/Primeira Página

Alerta para o final de 2026

O relatório serve como um aviso urgente para o futuro próximo. Previsões meteorológicas indicam uma alta probabilidade de um novo El Niño atingir a categoria de “muito forte” no último trimestre de 2026. Modelos climáticos já preveem chuvas abaixo da média e temperaturas até 1 °C acima do normal para esse período.

A vulnerabilidade atual da Amazônia também é reflexo de décadas de mudança no uso do solo. Entre 1985 e 2025, o bioma perdeu 14% de sua vegetação nativa (53,9 milhões de hectares). No mesmo intervalo, a área ocupada pela agropecuária saltou de 12,1 milhões para 65,3 milhões de hectares, o que altera o equilíbrio natural e deixa a região mais exposta a eventos climáticos extremos.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

Share
Canais Oficiais

Instagram

Siga e acompanha

Seguir no Instagram

YouTube

Inscreva-se no canal

Inscrever-se

TikTok

Siga e veja os vídeos

Seguir no TikTok

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Barra Redes Sociais
78,200FansLike

Artigos relacionados

Qual é a situação do Horto Florestal da promessa de revitalização à parceria com o Sesc? (vídeo)

O Parque Florestal Antônio de Albuquerque, conhecido como Horto Florestal de Campo Grande, passa atualmente por reformas que...

Mulher é presa após ameaçar clientes, xingar policiais e resistir a abordagem no Nova Lima

Uma mulher de 42 anos foi presa na manhã deste sábado (12) após, segundo a Polícia Militar, ameaçar...

Clínica é interditada após fiscais acharem material usado no lixo comum em Cuiabá

Uma clínica de estética que funcionava de forma irregular no bairro Jardim Itália, em Cuiabá, foi...

Árvore cai em avenida e moradores cortam 'túnel' para passagem na Mata da Jacinto (vídeo)

Moradores do bairro Mata do Jacinto se mobilizaram nesta sexta-feira (11) para desobstruir a passagem da Avenida Alberto...