O caso da adolescente de 13 anos de Naviraí, investigado na Operação Lívia, não foi isolado. Segundo a delegada Anne Karine Trevisan, materiais analisados pela polícia apontaram outras vítimas do grupo em diferentes partes do país. Algumas chegaram a registrar boletins de ocorrência, enquanto outras não contaram aos pais que estavam sendo ameaçadas.
De acordo com a delegada, a maioria das vítimas identificadas são meninas, que eram coagidas a cumprir as exigências dos integrantes do grupo por medo de revelar aos familiares que haviam entrado na plataforma e estavam sendo ameaçadas. A investigação aponta que elas eram pressionadas a praticar violência contra si mesmas.
“Existem outras vítimas, existem outros registros, nós identificamos no material periciado outras vítimas deles. Essas vítimas, algumas registraram boletins de ocorrência, outras não registraram porque não contaram para os seus pais”, relatou a delegada.
O chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Distrito Federal, delegado João Guilherme Medeiros, que também participou da operação, orientou pais e responsáveis a acompanhar o conteúdo acessado pelos filhos na internet e ficar atentos a mudanças de comportamento.
“Aqui vale um alerta muito sério aos pais de adolescentes, em geral: primeiro, no sentido de verificar o conteúdo de acesso de seus filhos em plataformas digitais e, de um modo geral, na internet. Esse controle é fundamental. Ainda vale verificar se seu filho teve mudança de comportamento, principalmente em atitude de isolamento ou em se verificando cortes na pele, cuja origem não se pode verificar”, disse.
Entre os sinais que merecem atenção estão isolamento repentino e cortes ou outros ferimentos cuja origem não seja conhecida pelos familiares. Segundo o delegado, essas mudanças podem ajudar a identificar situações em que adolescentes estejam sendo coagidos por grupos criminosos no ambiente digital.

Operação Lívia II: adolescentes que assistiram à live foram alvos
A segunda fase da Operação Lívia, deflagrada nesta terça-feira (15), mira novos envolvidos identificados durante a investigação sobre uma rede que atuava na internet com práticas de coerção, automutilação e indução ao suicídio. Foram cumpridas buscas e apreensões de adolescentes que assistiram à live onde uma menina de 13 anos, de Naviraí (MS), foi induzida à automutilação e ao suicídio.
Ao todo, são cumpridos seis mandados de busca e apreensão e seis medidas cautelares de busca e apreensão de adolescentes na Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A operação é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, com participação das polícias civis dos estados envolvidos.
A investigação começou após o caso de uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida à automutilação e ao suicídio por meio de plataformas virtuais.
A análise de celulares, computadores e outros materiais apreendidos na primeira fase permitiu aos investigadores avançar na identificação de pessoas que tiveram contato com a rede e com o conteúdo transmitido.
Segundo as autoridades, o grupo utilizava estratégias de recrutamento e chantagem contra vítimas vulneráveis, prática chamada de “escravidão digital”.
Nesta nova etapa, os investigadores também buscam localizar possíveis vítimas e esclarecer o papel de cada pessoa que teve contato com o conteúdo da rede.

