Enquanto muitas crianças passam os dias brincando e correndo, Miguel Baltazar Schafer, de 8 anos, aprendeu desde os primeiros dias de vida o que significa enfrentar batalhas. Natural de Rio Brilhante (MS), ele já passou por 10 cirurgias, convive com complicações intestinais desde o nascimento e divide a infância com tratamento continuo no Hospital Universitário (HU), em Dourados (MS).
Entre consultas, internações e procedimentos médicos, Miguel sonha em ter uma vida normal como as outras crianças e voltar a pescar, andar de bicicleta, fazer natação, brincar com os amigos e ter os poderes do seu super herói favorito: o Homem-Aranha.
Os desafios do pequeno começaram no dia em que nasceu em 19 de dezembro de 2017. A mãe, Larissa Raquel, viveu uma gravidez tranquila e esperava levar o filho para casa, mas tudo mudou após o parto.
“O Miguel nasceu perfeito, mas no dia 21 de dezembro, com apenas três dias de vida, ele precisou passar pela primeira cirurgia e colocar a colostomia. Era tão pequenininho”, relembra a mãe.
Meses depois veio a confirmação do diagnóstico de megacólon congênito e desde então, a família passou a viver uma rotina marcada por cirurgias, internações e tratamentos.
Para Larissa, o mais difícil não foram apenas os procedimentos médicos, mas ver o filho enfrentando dores e até bullying na escola por conta da bolsa de colostomia.
“O Miguel tem passado por coisas que não desejo para criança nenhuma e nem para família nenhuma. É muito difícil ver um filho sentindo dor e sofrendo. Tinha vezes que meu filho não queria ir para a escola por causa das outras crianças”.
Miguel o pequeno sonhador
Mesmo diante das dificuldades, Miguel é descrito pela família como um menino alegre, carinhoso, obediente e cheio de sonhos.
Longe dos hospitais, ele gosta de fazer coisas simples. Assim como muita crianças, ele tem como seu maior ídolo é o Homem-Aranha.
“Eu gosto de pescar, brincar com meus amigos e andar de bicicleta. Eu gosto do Homem-Aranha, queria ser igual a ele e soltar teia pela mão. Ele consegue fazer bastante coisas e é meu super-herói favorito.”
Mas os sonhos de Miguel vão além dos quadrinhos. Apaixonado pelo campo, assim como o pai, ele já imagina qual profissão quer seguir quando crescer.
“Meu sonho é trabalhar com colheitadeira. Eu quero trabalhar colhendo, ser coletador e estar com minha família”.
Miguel não abre mão dos sonhos: fazer natação, trabalhar com colheitadeira e ter uma vida como a de qualquer criança. (Foto: Reprodução)
Outro desejo que pode parecer simples para muitas pessoas carrega um significado enorme para o menino: fazer aulas de natação. As limitações impostas pela condição de saúde impediram que ele realizasse essa vontade até agora.
“O sonho do Miguel é fazer aula de natação. Pode parecer uma coisa simples para outras pessoas, mas para ele significa muito. Se eu puder realizar esse sonho do meu filho, vou correr atrás de tudo que for necessário.”
Família se vira como pode
Atualmente desempregada, Larissa divide a rotina entre os cuidados com Miguel e um bebê de três meses. Por causa do filho mais novo, ela nem sempre consegue acompanhar todas as internações do garoto.
“Antes era eu e o Miguel juntos o tempo todo. Agora ficou um pouco mais difícil porque tenho um bebê que mama no peito e também precisa de mim. Eu venho ver o Miguel sempre que posso, mas não consigo acompanhar tudo como antes.”
Apesar da distância e das dificuldades financeiras, a fé continua sendo o combustível da família.
“O que me dá força para continuar é a vida do meu filho. A gente coloca Deus na frente de tudo. Eu oro, peço força, e o Miguel também faz a mesma coisa. É assim que seguimos.”
Ao ser perguntado sobre o que faria se pudesse esquecer os hospitais por um dia, Miguel não fala de brinquedos ou presentes.
“Eu queria ficar com a minha família. Ficar com minha mãe, com meu irmão e com meu pai. A gente se diverte bastante quando eu saio do hospital. Eu quero ter uma vida normal como as outras crianças.”
Você pode ajudar
Depois de enfrentar 10 cirurgias e diversas tentativas de reversão da colostomia, Miguel trava mais uma batalha. A família busca recursos para um tratamento que pode evitar que ele precise voltar a utilizar a bolsa de colostomia.
Para ajudar nos custos médicos e possibilitar que o menino realize o tratamento fora do estado, familiares e amigos criaram uma vaquinha solidária com meta de R$ 20 mil.
Como ajudar:
Mais do que custear o tratamento, a campanha representa a esperança de dar a Miguel a chance de viver com menos limitações, realizar o sonho de fazer natação e ter uma infância mais próxima da que sempre desejou.
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