A creche alvo de denúncia de mães em Nova Andradina foi alvo de operação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) nesta quarta-feira (30). Mães relataram que as crianças eram alvo de puxões de cabelo, forçadas a tomar banho em água fria e ainda suspeitavam que filhos eram dopados.
Em imagens compartilhadas é possível ver crianças dormindo no chão e recebendo spray de vinagre no rosto para pararem de chorar. O caso ganhou repercussão no dia 18 de setembro e o Primeira Página noticiou no dia 21 de setembro.
Conforme o MPMS, a ação aconteceu por meio da 2ª e da 3ª Promotoria de Justiça de Nova Andradina, com o suporte da Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS, em atuação conjunta com a Polícia Civil e com o apoio da Polícia Militar. A Operação Amparo apura os possíveis maus-tratos praticados contra crianças no Espaço da Tia Lu na cidade.
“Durante a operação, foi dado cumprimento a mandados judiciais de busca e apreensão expedidos no âmbito das investigações. Também foi determinada a suspensão judicial das atividades do estabelecimento, como medida de proteção às crianças. As determinações foram expedidas, a pedido do Ministério Público e da Delegacia Civil, pela Vara Criminal e pela Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Nova Andradina”. divulgou em nota.
A investigação segue em andamento.
‘Bate na cabeça que não fica marca’
De acordo com a advogada que representa um grupo de mães, as denúncias começaram a ganhar repercussão na sexta-feira (18), após a divulgação de vídeos e imagens feitos dentro do Espaço Tia Lu.
Segundo ela, alguns registros mostram crianças dormindo no chão, sobre superfícies consideradas inadequadas para o descanso. Também foram relatadas condições que, segundo as mães, seriam inadequadas em berços e outros espaços utilizados pelas crianças.
A advogada afirma ainda que ex-funcionárias e mães relataram situações como banhos com água fria, puxões de cabelo, apertões e outras formas de violência. A suposta orientação para ex-funcionárias era “bater na cabeça porque não deixava marca”.
Comer até vomitar e vinagre na boca para parar de chorar
Também há relatos de crianças que teriam sido obrigadas a comer mesmo quando não queriam. Outro ponto citado pela representante das mães envolve um spray que, segundo os relatos, seria utilizado em situações em que as crianças choravam ou estavam agitadas.
Em um vídeo, a mulher aparece borrifando o spray no rosto de crianças que não queriam dormir.
As denúncias também incluem relatos de gritos frequentes e de crianças que chegariam em casa excessivamente sonolentas, supostamente dopadas. A advogada afirma que algumas famílias procuraram esclarecer mudanças de comportamento ou marcas apresentadas pelas crianças.
Prefeitura diz que espaço não pertence à rede municipal
Em nota oficial, a Prefeitura de Nova Andradina esclareceu que o Espaço Tia Lu não possui vínculo com a Administração Municipal e não integra a Rede Municipal de Ensino.
Segundo o município, o local é um estabelecimento particular destinado ao cuidado e à permanência temporária de crianças, contratado diretamente pelas famílias. Por esse motivo, a Prefeitura afirma que o espaço não é caracterizado como unidade educacional e não está submetido ao acompanhamento pedagógico da Secretaria Municipal de Educação ou do Conselho Municipal de Educação nos moldes aplicáveis às instituições de ensino.
A administração municipal informou ainda que, assim que tomou conhecimento da denúncia, os órgãos competentes foram acionados e adotaram as providências cabíveis dentro de suas atribuições e dos mecanismos da rede de proteção.

