O serralheiro apontado como suspeito de envolvimento no desaparecimento do professor Breno Antônio Humberto de Moraes, de 25 anos, em Várzea Grande, já havia procurado a Polícia Civil para prestar esclarecimentos antes de ser preso nesta quinta-feira (8).
Segundo o advogado Ronaldo Meireles, Elias Samuel Delgado da Silva, conhecido como Elias Bigode, compareceu voluntariamente à delegacia, entregou o celular, forneceu a senha do aparelho e negou qualquer participação no caso.
De acordo com a defesa de Elias Samuel , a apresentação aconteceu na sexta-feira anterior, depois que o advogado soube que policiais estavam procurando seu cliente. Na ocasião, os dois foram à delegacia responsável pelos casos de desaparecimento para responder às perguntas dos investigadores.
“Nós viemos aqui, nos apresentamos, conversamos com o doutor da delegacia de desaparecidos na época e esclarecemos as perguntas que foram feitas. Ele entregou o celular, entregou a senha, participou, entregou tudo que precisava ser feito”, afirmou Ronaldo Meireles.
O advogado contou ainda que o carro do suspeito estava apreendido desde sexta-feira e que, nesta quinta-feira, o veículo foi encaminhado para análise da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). A polícia também teria solicitado imagens de câmeras de segurança de locais por onde o homem afirmou ter passado.

Defesa explica possível ligação com professor
Outro detalhe revelado pelo advogado é que o filho do suspeito teria estudado em uma creche onde Breno trabalhava ou prestava serviços. Segundo Ronaldo, essa seria a única ligação entre os dois conhecida por seu cliente.
O defensor, porém, afirmou não ter informações suficientes para confirmar em qual unidade escolar a criança estudava ou qual era exatamente o vínculo profissional do professor com o local.
“Ele a todo momento diz que não tem participação em nada disso, não tem conhecimento de nada disso. A única coisa que ele tem conhecimento é de que o professor era trabalhador lá da creche aonde o filho dele aparentemente estudava”, disse.
A declaração apresenta uma versão diferente da relatada pelo irmão gêmeo de Breno, Bruno Humberto, que afirmou à reportagem que o suspeito teria procurado o professor antes do desaparecimento. Bruno também levantou a hipótese de que os dois tivessem combinado um encontro e que um possível desentendimento estivesse relacionado ao caso.
Nenhuma dessas versões foi confirmada pela Polícia Civil, que ainda não divulgou o que teria motivado o possível crime.
Suspeito foi preso enquanto trabalhava no Manso

O advogado explicou que o cliente estava prestando serviços de serralheria em uma fazenda na região do Manso quando foi preso. Segundo ele, o empregador do suspeito entrou em contato para avisar que policiais estavam no local cumprindo as ordens judiciais.
Ronaldo afirmou que ainda aguardava a chegada do cliente à delegacia para acompanhar seu depoimento e entender quais informações levaram a polícia a pedir a prisão.
“A gente confia na investigação e a gente crê que, para o delegado trazer, existem indícios, mas indícios não necessariamente no final se transformam numa condenação”.
O defensor também pediu cautela para que a busca por respostas não comprometa os direitos das pessoas investigadas.
Polícia continua buscas por Breno

Breno desapareceu na noite de 26 de setembro, depois de sair de casa, no bairro Capela do Piçarrão, em Várzea Grande, para tomar sorvete.
Imagens de uma câmera de segurança mostram o professor aguardando em frente a uma creche municipal, às 20h22. Quatro minutos depois, um motociclista chega, cumprimenta o jovem e o leva na garupa. Desde então, Breno não foi mais visto.
A Polícia Civil confirmou nesta quinta-feira (8) a prisão de um homem suspeito de envolvimento no desaparecimento, mas não divulgou oficialmente sua identidade nem explicou qual teria sido sua participação.
As investigações continuam para esclarecer o caso, identificar outros possíveis envolvidos e localizar o corpo do professor.

