Seu cachorro se aproxima para cheirar sua roupa assim que você chega? Seu gato passa alguns segundos investigando sua mão? O cheiro oferece informações importantes para os pets, inclusive sobre as pessoas com quem convivem. Estudos indicam que cães e gatos conseguem distinguir odores humanos familiares de desconhecidos.
Esse reconhecimento envolve aprendizagem e memória. Ao longo da convivência, os animais podem associar determinados padrões de cheiro a uma pessoa e às experiências vividas com ela. Segundo especialistas, o olfato participa da exploração do ambiente, da comunicação social e do reconhecimento de indivíduos.
O que as pesquisas encontraram?
Um estudo de 2015, conduzido por Berns, Brooks e Spivak, utilizou ressonância magnética funcional para observar a resposta cerebral de cães a diferentes odores. O cheiro de uma pessoa familiar provocou a maior resposta no núcleo caudado, região associada ao processamento de recompensas. O resultado sugere uma ligação entre aquele odor e associações sociais aprendidas, mesmo sem a presença da pessoa.
Entre os gatos, uma pesquisa de 2025, de Miyairi e colaboradores, encontrou outra pista: os animais passaram mais tempo investigando odores de desconhecidos do que os de seus responsáveis. Isso indica capacidade de diferenciar os estímulos.
Perfume pode mudar a reação do animal?
O cheiro humano reúne substâncias da pele, do suor e da respiração. Cosméticos, atividade física e contato com outros animais podem modificar esse conjunto. Por isso, seu pet pode cheirar você por mais tempo depois de uma mudança de perfume ou de um passeio. Isso não significa, necessariamente, que deixou de reconhecê-lo.
E depois de muito tempo longe?
Cães e gatos têm memória olfativa, mas ainda são necessários estudos específicos para determinar por quanto tempo reconhecem uma pessoa após afastamentos prolongados. Também não vale medir o reconhecimento apenas pela intensidade da recepção. Um animal mais discreto pode reconhecer alguém sem demonstrar grande agitação.
Além do cheiro, voz, postura, movimentos e rotina ajudam nessa identificação. Se houver uma mudança de comportamento súbita, intensa ou persistente, a avaliação veterinária pode ajudar a investigar o que está acontecendo.

