Santiago Peña anunciou a saída nesta quinta-feira, enquanto deputados discutiam a abertura de um processo de impeachment; a renúncia ainda depende de formalização pelo Congresso.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que deixará o cargo em meio à crise provocada pela intervenção no Ueno Bank e à pressão política pela abertura de um processo de impeachment. A saída ocorre após protestos de clientes que ficaram sem acesso a recursos depositados na instituição financeira.
Em pronunciamento, Peña afirmou que renuncia para preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. Ele também pediu desculpas por eventuais falhas e disse que a prioridade deve ser a devolução dos depósitos e a proteção dos recursos públicos. O presidente não assumiu responsabilidade direta pela crise.
A Câmara dos Deputados analisava a iniciativa de impeachment apresentada pela oposição. O pedido surgiu após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, que identificou insuficiência de capital abaixo do mínimo exigido. A instituição, que possui cerca de três milhões de clientes, administrava aproximadamente US$ 850 milhões em fundos públicos.
A crise levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e à abertura de uma investigação criminal. Oito dirigentes atuais e antigos do banco foram detidos, enquanto autoridades paraguaias iniciaram medidas para viabilizar a devolução de valores aos clientes.
Peña havia sido acionista de empresas ligadas ao grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. A oposição o acusou de conflito de interesses e de responsabilidade por falhas institucionais relacionadas à crise. Essas acusações integram o debate político e a apuração das autoridades.
A renúncia ainda precisa ser formalmente aceita pelo Congresso paraguaio. Caso seja confirmada, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência.

