domingo, abril 26, 2026

A um passo da cirurgia, Yago corre contra o tempo para não perder mais uma chance de andar

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Aos 7 anos, Yago Souza Sodré enfrenta a demora para conseguir operar e realizar o sonho de caminhar pela primeira vez. Diagnosticado com paralisia cerebral, Síndrome de West e uma má formação severa no quadril, ele passou por todos os exames e recebeu a autorização médica necessária para fazer a cirurgia, em Campo Grande. Mas, apesar disso, o procedimento ainda não foi marcado e a avó teme que a oportunidade escorra pelas mãos mais uma vez como já aconteceu no passado.

“Quando me chamaram da outra vez, me disseram que os papéis estavam vencidos, e isso foi com menos de um ano. Agora estamos de novo na metade do ano e nada. Quando chamarem, vai estar tudo vencido de novo”, desabafa Adriana de Souza Avalos, de 52 anos, que cuida sozinha do neto desde que ele nasceu.

A cada dia que passa, além da aflição com a burocracia, cresce a dor emocional da família. Yago vê os colegas correndo, brincando, e se revolta com suas limitações. “Ele quer andar, ele tenta todos os dias, mas não consegue. Ele se agita tanto que chegou a se machucar. Esses dias teve uma convulsão. Está muito difícil”, conta a avó.

O medo da perda da validade dos documentos e a demora no agendamento da cirurgia colocam a família num ciclo desgastante. “É uma briga entre médico e médico. Quando tento renovar as guias, eles dizem que não precisa, que não tem necessidade. Mas quem está vivendo isso somos nós. Enquanto isso, ele sofre. Ele se frustra, chora, se machuca. E eu tento explicar tudo de novo, implorar por uma nova consulta”, relata Adriana.

A ansiedade de Yago é visível, afirma Adriana. “Ele fica nervoso porque quer andar. Quer brincar. Ele sabe que essa cirurgia pode mudar tudo. Eu só queria que marcassem logo, para não precisar começar tudo de novo. Já lutamos tanto”.

A reportagem entrou em contato com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) sobre o caso de Yago e se deve haver alguma resposta e aguarda retorno.

Relembre o caso

Yago nasceu prematuro em 28 de maio de 2017, após sua mãe, Renata Souza Sodré, sofrer um AVC aos cinco meses de gestação. Com morte cerebral decretada, Renata foi mantida ligada a aparelhos por 61 dias, até que os médicos realizaram uma cesariana de emergência. Desde então Yago recebe cuidados intensivos e faz consultas com diversos especialistas.

Em abril deste ano, a família comemorou a liberação dos médicos para a tão esperada cirurgia no quadril. Agora, o temor é que a burocracia atrase novamente o procedimento, colocando em risco mais uma chance de Yago dar seus primeiros passos.

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