Segundo nossos dicionários, acessibilidade é a facilidade no acesso a todas as pessoas, incluindo aquelas com mobilidade reduzida ou com necessidades especiais. O conceito é amplo, mas quando estamos diante do termo, logo imaginamos rampas e elevadores no lugar de escadas, pisos táteis, cadeiras de rodas e outras facilitações para deficientes físicos, auditivos e visuais.
Frente ao termo pensamos sempre em criar facilidade, mas a definição vem traçando um caminho mais amplo, não apenas construir algo mais, como também vem eliminando barreiras para todos, inclusive para aqueles que apresentam alguma deficiência não visível, como ocorre em alguns casos, que se enquadram no Transtorno do Espectro Autista (TEA).
As pessoas incluídas no TEA veem o mundo de forma diferente, os ambientes muitas vezes lhe parecem confusos e até opressores, vivem como se estivessem pisando em campo minado. No decorrer dos tempos, erramos muito, com tentativas frustradas de adaptar o autista ao mundo; hoje vemos que isso não deve deixar de ser feito, mas até certo ponto, porque também precisamos adaptar o mundo a ele.
As leis em prol disso têm surgido, mas por bom senso, muitas vezes, deve-se ir além delas. Pensar em melhorar a vida do autista não significa criar um mundo diferente ou separado para ele, significa criar facilidades e eliminar barreiras dentro do mesmo mundo e isso exige esforço das diferente áreas sociais, desde o ambiente familiar, passando pela escola e pelo trabalho.
A acessibilidade é importante para reduzir a sobrecarga sensorial, visto que se trata de pessoas hipersensíveis ou hipossensíveis, ou seja, super-reativas ou sub-reativas a estímulos. A sobrecarga sensorial pode desencadear crises intensas de ansiedade e desregulação emocional.
A iluminação deve ser mais leve, óculos escuros podem ser úteis; o som, dentro do possível, deve ser mais baixo, com respeito aos horários de silêncio, o uso de fones de ouvido com eliminação de ruídos externos é uma boa opção; o espaço físico pode ser organizado e adequadamente orientado.
É importante também compreender que a compreensão da linguagem é processada diferente pelas pessoas com TEA, portanto devemos estar atentos à incompreensão dos autistas de figuras de linguagem, provérbios populares, ironias, sarcasmos. Assim como usamos o método braille, vídeos com legendas, um segundo idioma nas informações gerais, também podemos usar linguagem clara, objetiva e direta como meio de facilitar a comunicação com pessoas inseridas no transtorno do espectro autista.
Usar, por exemplo, como linguagem clara “sente-se aqui” é muito melhor do que “por que você não se senta?”. Ainda assim precisamos ter paciência com a lentidão de suas respostas, eles precisam de tempo para processar as demandas que dirigimos a eles. Quando incumbido de determinada tarefa, é sempre difícil planejar, organizar e gerenciar o tempo, aqui também precisamos compreender e ser pacientes.
Tudo isso deve ser visto como diferença, não como deficiência, uma diferença que não necessita de um mundo diferente, mas de um mundo facilitado e sem barreiras. Com algumas observações, vamos ter oportunidade de ver pessoas autistas muito mais funcionais, sem que isso traga qualquer prejuízo à sociedade geral. Pelo contrário, estaremos ganhando, ao incluirmos na vida social geral da humanidade esses seres humanos, que trazem consigo suas capacidades.

