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Advogado é acusado de servir como ‘pombo-correio’ para chefes do PCC em MS

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Um advogado de Mato Grosso do Sul é apontado como ‘gravata’, do PCC (Primeiro Comando da Capital), denominação dada a profissionais do Direito cooptados pela facção criminosa. A descoberta ocorreu durante os desdobramentos da Operação Sommelier, que investiga fraudes em licitações em Mato Grosso do Sul, deflagrada pela Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de Mato Grosso do Sul). 

A operação, deflagrada em 11 de junho de 2024, investiga fraudes no município de Itaporã. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência do advogado, surgiram evidências de participação em outra rede criminosa, unindo a prestação de serviços jurídicos ilícitos ao tráfico de drogas e à lavagem de capitais.

O acusado usava de seu direito como advogado para transportar mensagens ilícitas, conhecidas como ‘salves’, entre lideranças da facção, presas em regime fechado e membros em liberdade. Diligências foram realizadas com autorização judicial em Campo Grande, Araraquara–SP e Itajaí–SC para coletar provas.

Conforme o trabalho de investigação desenvolvido, o advogado integrava o núcleo ‘Sintonia dos Gravatas’, sendo responsável por organizar a assistência jurídica aos integrantes da máfia e gerir ordens emanadas de pelo menos três líderes, dentro e fora do cárcere.

Entre os chefes do PCC no estado, há um que já esteve implicado em plano de atentado a autoridades. O advogado travava comunicação ainda com outros profissionais já identificados como integrantes do corpo jurídico do PCC.

Para ocultar sua verdadeira identidade e dificultar a responsabilização penal, o advogado utilizava diversas contas no WhatsApp registradas com nomes falsos, segundo as investigações da Gaeco. O advogado também atuava no transporte semanal de cocaína de Ponta Porã para os estados do Paraná e Minas Gerais, escondidas em tanques de combustível e estepes de pneus. 

Mediante intenso trabalho de campo e apoio da Polícia Militar de São Paulo, o Gaeco/MPMS conseguiu prender o advogado em flagrante no dia 13 de outubro de 2024, no interior paulista, conduzindo um veículo que transportava 22 kg de pasta-base de cocaína dentro do tanque de combustível. O caso só foi divulgado nesta quinta-feira (15). 

Em decorrência desse flagrante, ele foi condenado pelo Juízo da 1.ª Vara da Comarca de Mirassol–SP a 6 anos, 6 meses e 3 dias de reclusão em regime inicial fechado, além do pagamento de 651 dias-multa. Ele está cumprindo pena em Araraquara–SP e com prisão preventiva decretada na nova investigação.

A denúncia atual, que corre na 3ª Vara Criminal de Campo Grande, também aponta a participação de uma mulher, que teve a prisão decretada, mas está desparecida, na administração financeira e venda de entorpecentes. Outros três faccionados PCC constam da acusação, um preso no complexo da Gameleira, em Campo Grande, e os outros dois foragidos.

 

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