O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira (17), em discurso transmitido pela TV estatal iraniana, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá destruir a República Islâmica. A declaração ocorreu em meio à retomada das negociações nucleares entre os dois países, realizadas em Genebra e mediadas por Omã.
“Há 47 anos os EUA não conseguiram destruir a República Islâmica. Você também não conseguirá fazer isso”, declarou Khamenei, em referência direta a Trump.
Ameaça a porta-aviões norte-americano
Durante o pronunciamento em Teerã, Khamenei também mencionou o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que opera próximo à região do Irã.
“O presidente dos EUA diz que o Exército deles é o mais forte do mundo, mas o Exército mais forte do mundo às vezes pode levar um golpe tão forte que não consegue se levantar. (…) Mais perigoso que o porta-aviões deles é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar”, afirmou.
Além do Abraham Lincoln, os EUA também enviaram à região o USS Gerald R. Ford, considerado o maior porta-aviões do mundo, reforçando a presença militar norte-americana no Oriente Médio.
Pressão por acordo nuclear
As declarações ocorrem em meio à intensificação das negociações para limitar o programa nuclear iraniano. O governo Trump exige que Teerã encerre não apenas o enriquecimento de urânio, mas também o programa de mísseis balísticos e o apoio a grupos armados na região.
Khamenei, por sua vez, afirmou que o programa de mísseis do país “não tem nada a ver” com os Estados Unidos e reiterou que as tratativas devem se restringir ao tema nuclear.
Na segunda-feira (16), Trump declarou estar envolvido “indiretamente” nas negociações e voltou a ameaçar o Irã caso não haja acordo.
“Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo”, disse o presidente americano a jornalistas a bordo do Air Force One, mencionando o envio de bombardeiros B-2 como demonstração de força.
Estoque de urânio e inspeções
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível considerado próximo ao necessário para produção de uma arma nuclear.
Autoridades iranianas indicaram disposição para diluir parte do estoque em troca do fim das sanções econômicas impostas pelos EUA. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou recentemente que o país aceita inspeções internacionais para demonstrar o caráter pacífico do programa nuclear, mas não aceitará “exigências excessivas”.

Escalada militar
Desde janeiro, Washington ampliou significativamente sua presença militar no Oriente Médio, com dois grupos de ataque de porta-aviões, destróieres e dezenas de aeronaves de combate.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou exercícios militares no Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio global de petróleo, elevando ainda mais as tensões.
Enquanto Trump alterna entre declarações otimistas e ameaças diretas de ataque, Khamenei afirmou que os Estados Unidos não estariam preparados para uma guerra contra o Irã e disse aguardar um possível “erro” de Washington.
As negociações seguem cercadas de incerteza, com divergências profundas entre as exigências americanas e os limites impostos por Teerã nas tratativas.


