Parte dos vereadores de Campo Grande parece rejeitar CPI para investigar a Saúde municipal, mesmo com a situação caótica do setor, em meio a mortes de crianças por suposta negligência e falta de insumos básicos nas unidades de saúde.
Um dos exemplos vem do vereador Lívio Leite (UB), que inclusive é médico. Ele justifica que o momento não é o mais adequado para fazer a investigação – sem dizer o porquê, em que pese os danos à população.
Em outro trecho da resposta, Leite avalia que o atual secretário de Saúde, Marcelo Vilela, está há apenas cinco meses no comando da Sesau e precisa de tempo para conhecer a estrutura administrativa da Saúde. O parlamentar não levou em conta que Marcelo já foi secretário de saúde até pouco tempo.
Outro ponto a se observar é que o secretário atual é o mesmo que pediu a terceirização do setor na cidade e teve a ideia rechaçada. Ou seja, reconheceu que há problemas sérios no setor, já que a medida proposta é altamente questionável. Mais uma: é dar tempo para um gestor que teve contas reprovadas pelo Conselho Municipal de Saúde.
Vereadores ou se calam ou são contra CPI da Saúde (Foto: reprodução CMCG)
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Outro vereador, Professor Juari (PSDB) se apoia em outra CPI, a do Transporte Coletivo, para barrar a investigação a favor do contribuinte campo-grandense.
”Qual o resultado da CPI do consórcio Guaicurus? No final, a Comissão entregará aos órgãos controladores um relatório sobre a Saúde, mas eles já têm detalhado isso. Então entendo que CPI é desperdício de recursos”, avaliou Juari.
Pela lógica do parlamentar, nenhuma outra investigação na cidade poderá ser aberta em razão de uma anterior não ter sido satisfatória aos olhos dele.
Quem é contra a investigação por meio de CPI demonstra extrema confiança no atual secretário. Delei Pinheiro (PP) alega que a prefeita e o secretário foram à Câmara nesta segunda-feira (1º) e entregaram uma programação ”muito concreta” de melhora na Saúde nos próximos meses.
”Acredito no secretário. Creio que em 90 dias vai melhorar muito. Depois desse prazo, veremos”, refletiu Pinheiro.
Nos bastidores da política, comenta-se que o encontro se deu para enterrar qualquer possibilidade de abertura de comissão.
Estranho
A vereadora Ana Portela – que foi membro da CPI do Transporte Coletivo e celebra suas conquistas – não vê necessidade em investigar a saúde por meio do instrumento legislativo. Ela disse ser a favor de apurações, mas que os objetos que sustentam o pedido da Comissão já são alvo de apurações, como aquisição de ambulâncias do SAMU pelo MPF; contrato da Santa Casa (MPE-MS) e irregularidades na USF Alfredo Neder e UPA Leblon.
Porém, ao contrário da justificativa de Ana, o contrato do consórcio com o Município também já era alvo de diversas ações na Justiça e, mesmo assim, foi aberta CPI para investigar as suspeitas.
”Meu gabinete atua de forma técnica. Não assino por assinar. Se houver uma CPI com eixo bem definido, objeto claro e finalidade complementar às apurações já existentes, ela terá minha atenção”, justificou.
O médico e vereador Dr. Jamal Salém foi enfático ao dizer que é contra a comissão. ”Sou contra. Sou a favor do diálogo”.
Tavares
O vereador Rafael Tavares (PL) é entusiasta da CPI e tem divulgado isso aos eleitores. Porém, impôs uma condicionante questionável: que a comissão investigue feitos na gestão anterior à de Adriane, ou seja, de Marquinhos Trad (PV).
Os vereadores Silvio Pitu (PSDB); Neto Santos (Republicanos); Wilson Lands (Avante); Ronilço Guerreiro (Podemos); Professor Riverton (PP); Fábio Rocha e Veterinário Francisco, ambos do União Brasil não responderam aos questionamentos da reportagem. O espaço segue aberto.

