A investigação sobre a morte da subtenente da Polícia Militar Marlene, em Campo Grande, aponta que o companheiro dela, e suspeito de cometer o crime, fez uma série de ligações logo após o crime na tentativa de sustentar a versão de suicídio.
Ele acionou a polícia, entrou em contato com um familiar e também com um advogado, a quem disse ter provas de que a vítima pretendia tirar a própria vida.
De acordo com o registro policial, o caso foi inicialmente tratado como suicídio após uma chamada feita ao serviço de emergência informando que a policial havia atirado contra si dentro da residência do casal, na Rua do Lince. Equipes da Força Tática do 9º BPM foram enviadas ao local, onde encontraram Marlene já sem sinais vitais.
Durante a abordagem, o homem relatou que tentou ligar para o 190, mas não teria conseguido atendimento imediato. Em seguida, segundo ele, procurou ajuda com o cunhado. Na sequência, também fez contato com o advogado. Para reforçar sua versão, o suspeito chegou a apresentar o celular aos policiais, mostrando o histórico das chamadas realizadas após o ocorrido.
Ele afirmou aos militares que possuía provas de que Marlene vinha manifestando intenção de cometer suicídio e que, por isso, decidiu acionar o advogado logo após a morte.
Apesar da tentativa de dar sustentação à versão apresentada, os relatos de testemunhas e as contradições no depoimento levantaram suspeitas. Um vizinho, que é policial militar, contou que encontrou o homem com as mãos ensanguentadas e segurando uma arma dentro da casa. Segundo ele, a vítima ainda apresentava sinais vitais naquele momento.
Outras testemunhas relataram que eram frequentes as discussões no imóvel e que, em algumas ocasiões, a subtenente chegou a pedir socorro.
Além disso, o suspeito apresentou versões diferentes sobre o momento do disparo. Em um primeiro relato, disse que não presenciou o tiro. Depois, afirmou que tentou impedir a ação e que sua mão estaria sobre a da vítima no instante em que o disparo ocorreu.
Diante das inconsistências, dos elementos colhidos no local e de indícios que não condizem com a hipótese de suicídio, a polícia passou a tratar o caso como feminicídio. O companheiro de Marlene foi preso em flagrante e encaminhado à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), onde o caso segue em investigação.


