Processo relata lesão no braço esquerdo após medicação intravenosa no Hospital Municipal Nossa Senhora Aparecida, em agosto de 2025; caso aguarda decisão inicial.
O pedreiro aposentado José Divino de Oliveira, de 73 anos, entrou com ação contra o município de Água Clara e o Estado de Mato Grosso do Sul após complicações que, segundo o processo, começaram durante atendimento no Hospital Municipal Nossa Senhora Aparecida e quase resultaram na perda do braço esquerdo. Ele pede indenização mínima de R$ 300 mil, além de pensão mensal e garantia de tratamento contínuo, por danos morais, estéticos e materiais, em caso ocorrido a partir de 16 de agosto de 2025.
O que a ação relata sobre o atendimento
Conforme os autos obtidos pela reportagem, José procurou o hospital municipal com dor abdominal causada por hérnia. Segundo a ação, ele recebeu soro, dipirona, cetoprofeno e outros medicamentos por via intravenosa.
Dias depois, o braço esquerdo apresentou reação descrita no processo como “ardência intensa, edema, rubor e dor local”, além de bolhas e aumento de temperatura. Registros médicos citados na ação apontam “lesão bolhosa, ulceração e evolução inflamatória importante”.
Hipótese de extravasamento e evolução do quadro
O documento descreve agravamento com “áreas ulceradas, focos hemorrágicos, necrose, secreção e progressiva deformidade do membro”. A defesa sustenta que a lesão pode estar relacionada a falha na aplicação do medicamento.
De acordo com o processo, o próprio prontuário levanta a hipótese de “celulite química por extravasamento de cetoprofeno”, quando o medicamento sai da veia e atinge tecidos ao redor.
Internações, infecção e sequelas descritas
O agravamento, segundo a ação, levou a internações prolongadas, com uso de antibióticos, curativos frequentes, exames e avaliações com diferentes especialistas. O processo também relata demora para atendimento em áreas como dermatologia e cirurgia plástica.
Durante o tratamento, exames teriam identificado infecção por fungo, com registro de “crescimento em cultura de Cryptococcus gattii”, o que exigiu uso prolongado de medicamento antifúngico. O paciente ficou internado até novembro de 2025 e teria apresentado melhora parcial, mas permaneceu com sequelas.
Impactos na renda e pedidos à Justiça
A ação afirma que José trabalhava como pedreiro e sustentava a família, mas, após a lesão, perdeu a capacidade de exercer a profissão, com “perda importante da capacidade laborativa” e dependência de terceiros para tarefas do dia a dia. O processo menciona que a esposa deixou o emprego para cuidar dele e que a família teve queda de renda.
Na ação, a defesa pede indenização mínima de R$ 150 mil por danos morais e de R$ 100 mil por danos estéticos, além de pagamento de despesas médicas, compensação por perda de renda e pensão mensal sugerida em pelo menos um salário mínimo. Também solicita que o município e o Estado garantam tratamento completo e contínuo, com medicamentos, exames, curativos, fisioterapia e acompanhamento especializado.
Andamento e manifestação dos citados
O caso tramita na Justiça e aguarda decisão inicial. A reportagem informou ter procurado o hospital e o município de Água Clara, mas não obteve respostas no prazo estipulado; o espaço foi indicado como aberto para manifestações futuras.


