terça-feira, abril 28, 2026

Ataque dos EUA à Venezuela obriga companhias aéreas a suspender voos do Brasil e ajustar rotas

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(FOLHAPRESS) – O fechamento do espaço aéreo na Venezuela ao longo do final de semana gerou transtornos e prejuízos às companhias aéreas que passam pela região, sobretudo em voos com destino aos países no mar do Caribe.

Azul, Gol, Latam e Avianca, que operam voos saindo do Brasil, tiveram que reorganizar ou suspender rotas que tinham o Caribe como ponto final após os ataques dos Estados Unidos que resultaram na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no sábado (3).

A Azul, por exemplo, cancelou os voos entre Confins (Minas Gerais) e Curaçao -em ambos os sentidos- que estavam previstos entre domingo (5) e esta terça-feira (6). A rota entre Belém e Fort Lauderdale (EUA) foi suspensa na segunda (5) e quarta-feira (7).

De acordo com a companhia, foram escalados voos extras para atender os clientes impactados nas duas rotas, entre esta terça e sexta-feira (9).

“A Azul lamenta eventuais transtornos causados aos clientes e reforça que ações como essa são necessárias para garantir a segurança de suas operações, valor primordial para a companhia”, disse em nota.

A Gol, que retomou em agosto voos para Caracas, está com suas rotas para a região suspensas há pouco mais de um mês, quando o governo dos Estados Unidos emitiu comunicado avisando que, em decorrência do aumento de atividades militares, o espaço aéreo era perigoso.

Ao longo do final de semana, dez voos da Gol que saíam de Brasília para Miami ou Orlando, dois trechos que costumam ser feitos sem escalas, foram desviados e realizaram conexão em Manaus para abastecimento. A informação foi publicada inicialmente pelo jornal Valor Econômico e confirmada pela Folha.

No caso dos trechos ao Caribe, as viagens da Gol foram suspensas ainda na madrugada de sábado e retomadas após a reabertura do espaço aéreo, no domingo. Um voo para Curaçao foi cancelado.

A Latam retomou os sobrevoos pela região nesta segunda (5) e afirma que as operações de Aruba e Curaçao estão normalizadas. A companhia opera três voos semanais saindo de Bogotá (Colômbia), sendo que após as interrupções, foram adicionados mais dois voos de ida e volta para Curaçao e Aruba.

“A Latam Airlines Colômbia reafirma o seu compromisso com a segurança operacional e a continuidade do serviço, e agradece a compreensão dos seus passageiros diante de uma situação totalmente alheia ao seu controle”, disse a companhia em nota.

A Avianca também suspendeu as operações no sábado e as retomou no domingo assim que o espaço aéreo foi liberado. A companhia viaja para Aruba, Curaçao e San Juan (Porto Rico), sendo alguns dos trechos operados em parceria com a Gol.

“A empresa continuará monitorando de perto a situação e, como tem feito desde o início, seguirá todas as instruções necessárias para garantir a segurança de suas tripulações e passageiros”, afirmou a companhia.

Em todos os casos, passageiros que foram afetados pela paralisação dos voos receberam comunicados com informações sobre como deveriam proceder. As companhias ofereceram opções de remarcação ou cancelamento de passagem, além da possibilidade de receber crédito ou pedir reembolso.

A orientação principal é que os clientes sigam atentos às notificações dos canais oficiais das companhias.

RADAR ANTICRISE

Abalado pelas restrições da Covid-19, o setor aéreo hoje luta para evitar crises que possam devastar as operações em efeito cascata. Por isso, a situação na Venezuela é acompanhada de perto pelas empresas e associações, que agem rápido para apagar incêndios.

Problemas financeiros após a pandemia forçaram um redesenho operacional pelo mundo, sobretudo com o aumento de custos relativos a taxas aeroportuárias, combustível de aviação e a volatilidade do dólar.

Consultada sobre os problemas enfrentados por companhias que operam na região, a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) disse que desde os primeiros avisos de segurança relacionados à Venezuela, no final do ano passado, tem solicitado a cooperação de autoridades e agentes econômicos envolvidos com o setor para ajudar as companhias aéreas.

A associação afirma que está ativamente engajada junto a outras organizações do setor para facilitar o fluxo de informações e aprimorar a coordenação com as companhias afetadas. O objetivo é minimizar interrupções e manter a segurança dos voos.

“Embora o impacto econômico do fechamento e das restrições do espaço aéreo não possa ser avaliado com precisão, como observado em outras regiões do mundo, o aumento do tempo de voo e das rotas resultará, inevitavelmente, em custos operacionais mais elevados às companhias aéreas diretamente afetadas”, afirma a Iata.

O estudo é uma iniciativa conjunta de cinco entidades. Além do Ibross e Opas/OMS, participam o Instituto Ética Saúde, Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde) e Conasems (Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde)

Folhapress | 07:50 – 07/01/2026

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