A Justiça marcou para o dia 15 de junho, às 13h30, a audiência de instrução do caso que investiga a morte da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, em Campo Grande. A audiência será responsável pela produção de provas e oitiva das partes envolvidas no processo do feminicídio da oficial ocorrido dentro da própria residência dela.
Segundo o advogado da família da vítima, Jeferson Soares, os pedidos feitos pela assistência de acusação foram aceitos pelo magistrado. Entre as provas autorizadas estão o laudo de exame do local da morte violenta, o laudo pericial balístico da arma apreendida e o exame residuográfico realizado no material coletado do acusado e também no corpo da vítima.
O defensor explicou que os exames devem ajudar a esclarecer pontos considerados contraditórios na investigação. “O laudo é justamente para esclarecer pontos contraditórios, não podemos condenar o réu sem provas”, afirmou o advogado.
O caso aconteceu na residência do casal, na Rua do Lince, em Campo Grande. Inicialmente, a ocorrência foi registrada como suicídio após o companheiro da policial acionar o 190 informando que Marlene havia atirado contra si mesma.
Conforme a investigação, o suspeito também entrou em contato com um familiar e com um advogado logo após a morte. Aos policiais, ele afirmou possuir provas de que a subtenente vinha manifestando intenção de tirar a própria vida e apresentou o histórico de ligações feitas após o ocorrido para sustentar a versão.
Apesar disso, inconsistências nos depoimentos e relatos de testemunhas levantaram suspeitas. Um vizinho, que também é policial militar, afirmou ter encontrado o homem com as mãos ensanguentadas e segurando uma arma dentro da residência, enquanto Marlene ainda apresentava sinais vitais.
Outras testemunhas relataram que as discussões no imóvel eram frequentes e que a policial já havia pedido socorro em ocasiões anteriores.
Além disso, segundo a investigação, o suspeito apresentou versões diferentes sobre o momento do disparo. Em um primeiro relato, disse que não viu o tiro acontecer. Depois, afirmou que tentou impedir a ação e que sua mão estaria sobre a da vítima no instante do disparo.
“O laudo é justamente para esclarecer pontos contraditórios, não podemos condenar o réu sem provas”, finalizou Soares.
Diante das contradições e dos elementos encontrados no local, a Polícia Civil passou a tratar o caso como feminicídio. O companheiro da subtenente foi preso em flagrante e o caso segue sendo investigado pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

