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Brasil tem 18 perfis de IA comentando política, mas maioria esconde isso

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Cerca de 18 perfis criados a partir de personagens gerados por Inteligência Artificial (IA) para comentar política brasileira nas redes sociais não informam claramente que se tratam de avatares virtuais. O caso mais conhecido talvez seja o da personagem Dona Maria, que levou a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) a pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão das contas ligadas ao perfil.

Segundo um estudo do Observatório das Eleições, pelo menos 61% dos perfis criados com personagens de IA voltados a comentar política no Brasil não apresentam qualquer aviso indicando que o conteúdo é produzido por avatares artificiais.

Entre janeiro de 2025 e abril deste ano, o observatório identificou 18 personagens de IA que se apresentam nas redes sociais como eleitores, influenciadores, apresentadores, comentaristas políticos ou até líderes de movimentos populares.

Um dos casos mais conhecidos é justamente o de Dona Maria, avatar que representa uma mulher negra e idosa. Desde a criação do perfil, a personagem publicou mais de 400 vídeos com críticas ao presidente Lula e a setores da esquerda brasileira.

A atuação do perfil levou a Federação Brasil da Esperança a acionar o Tribunal Superior Eleitoral, alegando disseminação de desinformação e prática de propaganda eleitoral antecipada.

Segundo apuração do Notícias ao Minuto, duas contas ligadas à personagem já foram suspensas. Mesmo assim, o responsável pelo avatar criou uma terceira página, na qual afirma que “quem cria conteúdo sério, opinativo e baseado em notícias acaba sendo tratado como criminoso, enquanto grandes páginas seguem operando como se nada tivesse acontecido”.


Mesmo assim, perfis ligados à esquerda e favoráveis ​​ao governo Lula passaram a criar versões próprias de Dona Maria, inclusive mantendo características físicas semelhantes às da personagem original. Um dos exemplos é a página “Lula Pela Verdade”, que usou o avatar para defender pautas do governo e criticar temas ligados à direita, como a escala de trabalho 6×1 e a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Outro perfil identificado é o “Seu Zé da Feira”, avatar de um homem negro e idoso que publica vídeos defendendo o governo Lula e atacando setores da direita. Nesse caso, porém, as publicações exibem marca d’água da ferramenta de Inteligência Artificial utilizada na criação do conteúdo, indicando que se trata de material gerado por IA, segundo o portal g1.

Ainda assim, o estudo realizado pelas organizações Data Privacy Brasil e Aláfia Lab apontou que, na maioria dos casos, só foi possível identificar que os personagens haviam sido criados por Inteligência Artificial após análise técnica detalhada. Entre os principais indícios observados estavam falhas de resolução, desproporções visuais e elementos robotizados em áudios e imagens.


Nos sete casos em que havia algum tipo de identificação de uso de Inteligência Artificial, os avisos apareciam por meio de marcadores automáticos das próprias plataformas, em três perfis, marcas d’água das ferramentas utilizadas para gerar o conteúdo, em dois casos, ou hashtags indicando o uso de IA, também em dois perfis.

O levantamento apontou ainda que 78% dos avatares analisados, 14 dos 18 identificados, compartilhavam conteúdos com desinformação política, incluindo alegações enganosas sobre políticos e instituições democráticas brasileiras.

Entre os principais alvos das publicações estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso.

As plataformas mais utilizadas pelos perfis são TikTok e Instagram, com seis casos cada. Em seguida aparecem YouTube, com três registros, além de X, antigo Twitter, Kwai, aplicativo de vídeos curtos bastante popular na América Latina, Sudeste Asiático e China, e Facebook.

Ministro da Fazenda defendeu modelo de regulamentação baseado em níveis de risco das ferramentas de inteligência artificial. Segundo Dario Durigan, tecnologias mais sensíveis terão regras mais rígidas, enquanto aplicações de baixo impacto deverão enfrentar menos burocracia para estimular inovação

Agência Brasil | 10:30 – 13/05/2026



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