Os casos de brucelose humana passam a ser de notificação compulsória em Mato Grosso. A medida vale para serviços de saúde públicos e privados e laboratórios, que deverão comunicar casos da doença à Vigilância Epidemiológica.
A determinação consta em resolução da Comissão Intergestores Bipartite de Mato Grosso (CIB-MT), publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (10). A norma estabelece novas diretrizes para a vigilância e o monitoramento da doença no estado.
Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT), Aruaque Lotufo, a doença tem forte relação com determinadas atividades profissionais, principalmente aquelas que envolvem contato direto com bovinos.
“A brucelose é uma doença ocupacional. O público mais suscetível e vulnerável são justamente os profissionais que trabalham na lida com os bovinos”, explicou Lotufo.
Como a brucelose é transmitida?
Uma das principais formas de transmissão é pela ingestão de alimentos contaminados, especialmente:
- Leite não pasteurizado
- Queijo e outros derivados produzidos com leite contaminado
- Carne crua ou malpassada
Uma das formas de transmissão aos seres humanos ocorre pelo consumo de alimentos contaminados, especialmente produtos feitos com leite cru e sem pasteurização.
Lotufo alerta que produtos de origem animal sem inspeção representam risco maior justamente porque não há garantia de que tenham passado pelos procedimentos necessários para eliminar a bactéria.
“O principal alimento que pode trazer risco é o produzido através do leite cru não pasteurizado. Produtos não inspecionados dão um risco à saúde de maneira mais acentuada porque não há a garantia da pasteurização”, afirmou.
Entre os grupos mais expostos estão médicos-veterinários e trabalhadores de frigoríficos. Segundo Lotufo, o risco está relacionado principalmente ao contato com materiais biológicos de animais infectados.

Durante o abate, trabalhadores podem ficar expostos a esses materiais. Médicos-veterinários também estão sujeitos à contaminação durante procedimentos de assistência reprodutiva, mesmo com o uso de equipamentos de proteção individual.
A brucelose é uma zoonose causada por bactérias do gênero Brucella e pode ser transmitida aos seres humanos principalmente pelo contato com animais infectados ou com produtos contaminados. Segundo o Ministério da Saúde, trabalhadores rurais, veterinários, funcionários de frigoríficos e profissionais de laboratório estão entre os grupos mais expostos.
Como será a notificação em MT
Pela nova regra, laboratórios públicos e privados deverão informar resultados compatíveis com brucelose e encaminhar os laudos à Vigilância Epidemiológica municipal.

Os serviços de saúde também deverão registrar as informações clínicas e epidemiológicas no sistema IndicaSUS e comunicar os casos à Vigilância Epidemiológica. Os dados serão utilizados para acompanhar a ocorrência da doença e orientar ações de prevenção e controle.
A resolução estabelece ainda que o descumprimento da obrigação de notificar poderá sujeitar os responsáveis às penalidades previstas na legislação sanitária.
A bactéria também pode ser transmitida pelo contato direto ou indireto com animais infectados e pela inalação de partículas contaminadas. Bovinos, búfalos, ovelhas, cabras, porcos, cavalos e cães estão entre os animais que podem estar envolvidos na exposição humana.
O Ministério da Saúde alerta ainda para acidentes durante a vacinação de animais contra a brucelose, que também podem provocar infecção em trabalhadores que manipulam as vacinas.
Quais são os sintomas?
A doença pode ser difícil de identificar porque os sintomas também aparecem em várias outras enfermidades. Entre os sinais mais comuns estão febre, mal-estar, suor intenso durante a noite, calafrios, fraqueza, cansaço e perda de peso.
Também podem ocorrer dores de cabeça, musculares, articulares, abdominais e nas costas. Em alguns casos, a infecção pode não apresentar sintomas.
O período de incubação pode variar de cinco a 60 dias, embora o Ministério da Saúde informe que, em situações excepcionais, esse intervalo pode ser bem maior. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir para uma forma crônica.

Quem corre mais risco?
A exposição é maior principalmente entre pessoas que trabalham diretamente com animais ou produtos de origem animal. Entre elas estão vaqueiros, boiadeiros, produtores de leite e queijo, veterinários, trabalhadores de frigoríficos, abatedores e profissionais de laboratórios.
De acordo com Lotufo, médicos-veterinários estão entre os profissionais que também precisam de atenção especial. Durante procedimentos reprodutivos, por exemplo, pode ocorrer contato acidental com material contaminado mesmo quando são utilizados equipamentos de proteção.
Nos frigoríficos, trabalhadores envolvidos diretamente no abate também podem entrar em contato com materiais biológicos de animais infectados.
Além desses profissionais, estão entre os grupos de maior exposição vaqueiros, boiadeiros, produtores de leite e queijo e trabalhadores de laboratórios.
Para reduzir o risco, o Ministério da Saúde recomenda consumir apenas leite fervido ou pasteurizado, cozinhar bem carnes e vísceras, usar equipamentos de proteção durante o manejo de animais e manter a higiene dos ambientes de produção animal.
O tratamento da brucelose humana é feito com antibióticos e está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

