domingo, novembro 1, 2026

Caiado critica governo Trump e diz que Milei fez ‘escândalo’ no Brasil

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Em sabatina do Correio Braziliense, Caiado afirmou que, se for eleito, pretende “resgatar a liturgia” da Presidência. “Você não pode ridicularizar conversas, baixando o patamar da discussão. Não pode dizer: ‘Ah, a dentadura dele é melhor do que a do (Donald) Trump'”, disse, em referência a falas de Lula.

“Aí o outro (Javier Milei) vem aqui, faz escândalo lá e, de repente, se acha no direito de xingar presidente, xingar ministro. O outro (governo Trump) se acha no direito de vir aqui saber como vai auditar (as eleições). Calma lá. Devagar com o andor que o santo é de barro”, completou o ex-governador.

No sábado (25), durante o evento que oficializou a pré-candidatura de Flávio, Javier Milei chamou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de “lixo careca” por não ter autorizado que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado.

Na mesma semana, o jornal The Washington Post revelou que houve uma tentativa americana de enviar funcionários do Departamento de Estado dos EUA ao Brasil para lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro. O Itamaraty negou o visto dos auxiliares da Casa Branca.

Os dois episódios tensionaram as relações diplomáticas entre os dois países. Os americanos negaram qualquer intenção de influenciar a eleição brasileira. No caso argentino, a situação resultou na convocação do embaixador para prestar esclarecimentos e na subida de tom de integrantes do alto escalão do governo Lula. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de “palhaço”.

Como mostrou a Folha, auxiliares do governo e da coordenação da pré-campanha de Lula interpretaram a recente ofensiva dos presidentes dos Estados Unidos e da Argentina em favor da candidatura de Flávio como tentativas de interferência estrangeira e temem que as investidas se tornem mais intensas às vésperas do pleito de outubro.

Para Caiado, a chancelaria brasileira “passou a ser um braço ideológico do PT”. “A liturgia do cargo impõe isso, mas, quando você não tem uma diplomacia brasileira que já foi o maior orgulho para nós… A chancelaria brasileira podia chegar em qualquer grande órgão mundial que era referência. Chegava na ONU (Organização das Nações Unidas) e sempre foi vista com muito respeito”, declarou.

O pré-candidato do PSD mencionou o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que pode chegar a até 37,5% para alguns setores, para defender ser necessário que o presidente brasileiro sente à mesa e negocie, citando, por exemplo, os minerais críticos e as terras raras.

Segundo ele, o Brasil é a parte “mais fraca” da relação e, no atual cenário, a indústria, o comércio e o setor rural do país são afetados, enquanto os líderes de Estado estão “blefando um contra o outro”.

“Temos como negociar, fazer parcerias, acordos internacionais, buscarmos tecnologia. O Brasil precisa parar de vender pau-brasil. Eles vendem um chipzinho da Nvidia e eu sou obrigado a carregar milhões de toneladas de soja. O Brasil ficou atrasado”, disse.

Durante a sabatina, o ex-governador de Goiás também criticou a distribuição das emendas parlamentares impositivas (quando o Executivo é obrigado a pagar) e disse que o país vive hoje uma “desordem institucional” entre os Poderes. Ele afirmou que a Presidência está abrindo mão de suas prerrogativas “a cada ameaça” de instalação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) pelo Congresso Nacional.

“Você não sabe qual é o sistema político brasileiro. Você tem a área do Supremo invadindo o Congresso, o Congresso invadindo o Executivo. O Executivo sem saber para onde vai”, disse, sem detalhar como mudaria o atual esquema caso seja eleito.

“No presidencialismo você tem um plano de governo, que foi eleito pela população. Você não tem plano de um deputado, de um senador. O discricionário é do presidente da República. Se aquelas emendas têm o objetivo de estar dentro do projeto do governo, não tem nenhuma dificuldade de ser colocada. Ela não pode estar em ONGs, em repasses que não têm nada a ver com aquilo que foi aprovado pela população. Isso não pode ser distorcido, anulado.”

Apresentando-se como uma “linha-dura” no combate à criminalidade, Caiado repetiu ainda a promessa de que, se chegar ao Planalto, irá trabalhar para aprovar uma emenda à Constituição que permita expropriar o patrimônio de homens que cometerem feminicídio e transferir para a família da vítima.

“‘Briga de marido e mulher não se mete a colher.’ O Caiado mete a algema e tornozeleira nesse vagabundo. Esse índice de feminicídio é algo que desmoraliza o país”, afirmou o ex-governador, em um momento de disputa pelo apoio do eleitorado feminino. O grupo é considerado decisivo para o pleito deste ano.

Leia Também: PF: Flávio Bolsonaro esclarece por escrito ataques à Lula

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