A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou um requerimento que cobra esclarecimentos sobre a aquisição, o armazenamento e a instalação de aproximadamente 4 mil aparelhos de ar-condicionado destinados à Rede Municipal de Ensino da Capital.
A medida de autoria do vereador Maicon Nogueira recebeu 14 votos favoráveis e um contrário, registrado pelo parlamentar Beto Avelar. O pedido solicita documentos detalhados sobre os equipamentos comprados por meio do programa "Juntos pela Educação". Os questionamentos principais envolvem a localização exata das máquinas, a quantidade de aparelhos efetivamente funcionando nas escolas e as providências para preservar as garantias.
Durante a defesa da proposta, Nogueira apontou que uma parcela mínima dos condicionadores foi instalada. Alunos e profissionais da educação continuam em salas sem climatização e enfrentam problemas até com ventiladores. “A Semed adquiriu quatro mil condicionadores de ar. Um percentual muito pequeno desses aparelhos foi instalado”, afirmou o autor.
Segundo informações do próprio parlamentar, comunidades escolares estão organizando rifas e feiras para viabilizar a instalação nas salas de aula. Ele questiona o motivo de as unidades precisarem mobilizar recursos próprios para uma demanda já incluída na contratação original. A falta de adequação da rede elétrica dos prédios também foi criticada. “Se não tinha rede elétrica suficiente para colocar esses condicionadores, por que compraram quatro mil de uma vez?”, questionou.
O requerimento solicita a relação completa das escolas que já contam com os equipamentos operando e daquelas que permanecem com os aparelhos guardados. A prefeitura deverá explicar os motivos técnicos, administrativos, operacionais ou orçamentários dos atrasos e apresentar um cronograma atualizado para as adequações elétricas.
O documento exige ainda os endereços dos locais de armazenamento e a identificação dos responsáveis por evitar a deterioração ou o extravio dos produtos. Outra cobrança central é a situação das garantias. O vereador pede os prazos de cobertura, o início da contagem e esclarecimentos sobre o risco de o armazenamento prolongado comprometer essa proteção.
A iniciativa busca confirmar se todos os itens foram incorporados ao patrimônio municipal. Caso tenha ocorrido transferência para outros órgãos públicos, o Executivo precisará listar os destinos e as justificativas. Para Maicon Nogueira, as respostas são essenciais para acompanhar a aplicação dos recursos. “A gente precisa saber a verdade sobre o que foi feito com esse dinheiro”, concluiu.

