A morte do poodle Azeitona, de 10 anos, transformou a rotina de uma família de Campo Grande. O cachorro morreu na madrugada de 21 de agosto de 2025, durante internação em uma clínica veterinária, e os tutores afirmam que o animal passou horas sem receber o suporte necessário antes de morrer.
Segundo Caroline da Silva Souza e Jair Neris da Silva, Azeitona era considerado um membro da família. O cão havia sido levado à clínica para realização de exames e acompanhamento veterinário após apresentar problemas de saúde que exigiam investigação mais detalhada.
Conforme o relato dos tutores, durante a internação, o quadro clínico do animal teria se agravado progressivamente. Eles alegam que não houve monitoramento contínuo nem estrutura compatível com a gravidade da situação.
Na madrugada do dia 21 de agosto, a família recebeu uma ligação informando que Azeitona havia sofrido uma parada cardiorrespiratória, mas teria sido reanimado. Na mesma conversa, os responsáveis foram orientados a procurar outro hospital veterinário, sob a justificativa de que a unidade não possuía UTI nem recursos suficientes para manter o atendimento emergencial.
Desesperados, os tutores seguiram até a clínica. Segundo eles, ao chegarem, encontraram o cachorro em estado crítico.
A família afirma que, naquele momento, foi informada de que precisaria retirar o animal e levá-lo por meios próprios para outra unidade especializada. Porém, segundo a denúncia, a transferência acabou sendo atrasada por procedimentos burocráticos exigidos pela clínica.
Os tutores sustentam que o animal permaneceu agonizando por cerca de 40 minutos enquanto aguardavam a liberação.
“O Azeitona não era apenas um animal de estimação, mas um membro da nossa família. Depositamos confiança na clínica para cuidar dele em um momento delicado, mas o que recebemos em troca foi sofrimento, dúvidas e ausência de respostas claras”, afirmaram.
De acordo com os relatos apresentados pela família, o cão morreu ainda dentro da unidade veterinária durante a madrugada.
Além da dor pela perda, os tutores afirmam que enfrentaram dificuldades para obter informações sobre o atendimento prestado. Segundo eles, a clínica demorou a fornecer parte da documentação solicitada e, até hoje, não teria apresentado o atestado de óbito do animal.
Outro ponto que chamou a atenção da família foi a informação de que as câmeras de segurança da clínica não estariam gravando durante o período em que Azeitona permaneceu internado.
Caso chegou ao CRMV
As circunstâncias da morte motivaram os tutores a formalizar uma representação junto ao Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul (CRMV-MS).
O procedimento resultou na abertura do Processo Ético-Profissional, que tramita contra a médica veterinária responsável técnica da unidade e a Clínica Veterinária Pronto Dog & Cat.
Na representação, a família questiona a estrutura oferecida para o atendimento de emergência, a demora na transferência do animal, a falta de documentos relacionados ao caso e também pede apuração sobre a atuação dos profissionais que participaram do atendimento.
Um dos pontos investigados é a suspeita de que uma pessoa que teria se apresentado como médica veterinária apareceria identificada como auxiliar em documentos anexados ao processo. A situação também foi incluída entre os fatos que os tutores pedem que sejam esclarecidos pelo conselho profissional.
O processo segue em tramitação no CRMV-MS e ainda não possui decisão final.
A reportagem procurou a Clínica Veterinária Pronto Dog & Cat para comentar as acusações apresentadas pelos tutores. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

