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Cardiologista é indiciado por feminicídio após perícia descartar suicídio da esposa

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A Polícia Civil indiciou o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, por feminicídio na morte da esposa, a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos. A conclusão do inquérito foi divulgada nesta sexta-feira (21), após mais de três meses de investigação que descartou a versão inicial de suicídio apresentada pelo médico.

Além do feminicídio, João também foi indiciado por fraude processual, violência psicológica contra a mulher, posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Fabiola foi encontrada morta no dia 18 de maio, com um tiro na cabeça, na chácara onde morava com o marido, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande (MS).

Na ocasião, o cardiologista acionou a polícia e afirmou que a esposa havia tirado a própria vida. No decorrer das investigações, no entanto, exames periciais apontaram incompatibilidades na versão e afastaram a hipótese de suicídio.

O caso foi investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), que reuniu laudos, documentos e depoimentos ao longo de cerca de três meses. Entre os elementos analisados está um diário mantido por Fabiola, utilizado pela polícia na apuração de possíveis episódios de violência psicológica.

Contradições e suspeita de alteração na cena

As primeiras dúvidas sobre a versão apresentada pelo médico surgiram ainda nos dias seguintes à morte. Segundo a Polícia Civil, depoimentos de testemunhas e pessoas ligadas ao caso apresentaram divergências, enquanto análises preliminares indicaram que o ferimento na cabeça da vítima não era compatível com um ato suicida.

Fabiola Marcotti vítima de feminicídio, era fisioterapeuta e tinha 51 anos. (Foto: Redes Sociais)

Outro ponto que pesou na investigação foi a suspeita de alteração da cena onde Fabiola foi encontrada. De acordo com a polícia, o cardiologista teria solicitado que um caseiro e um ex-funcionário retirassem da propriedade um armário que continha armas e munições.

A conduta foi enquadrada como fraude processual, levando à autuação em flagrante dos envolvidos. O médico também chegou a ser preso por irregularidades relacionadas ao armamento apreendido no local, mas obteve liberdade por meio de habeas corpus e passou a usar tornozeleira eletrônica.

Prisão preventiva e envio do caso ao MP

Com o avanço das investigações e a conclusão dos laudos periciais, João foi preso preventivamente novamente em 14 de agosto, desta vez pela suspeita de feminicídio. A defesa classificou a medida como inadequada e recorreu da decisão.

Seis dias depois, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou a soltura do cardiologista, que responde em liberdade pelo crime de feminicídio.

A defesa sustenta que João não matou a esposa e afirma que as provas produzidas durante a investigação deverão ser discutidas ao longo do processo.

Com a conclusão do inquérito, MPMS vai analisar provas e decidir se oferece denúncia à Justiça contra o cardiologista.(Foto: Decom)

Encerrado o inquérito, o material foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), responsável por decidir se apresenta denúncia à Justiça ou se solicita novas diligências antes de se manifestar sobre o caso.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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