As residências, lugar onde deveria representar proteção e segurança, aparece como o principal cenário dos casos de estupros registrados em Mato Grosso do Sul. Os dados do Painel de Monitoramento da Sejusp-MS mostram quem mais de 16 mil ocorrências nos últimos 10 anos aconteceram dentro de residências ou similares. Outro dado alarmante é que as crianças de até 11 anos são as principais vítimas.
Recentemente, o Primeira Página noticiou casos que escancaram a violência sofrida pelas mulheres. Como no caso do motorista de aplicativo pelo por série de estupros em Campo Grande e de um homem, que sequestrou e estuprou a ex-companheira em Bonito.
E esses casos são apenas a ponta do iceberg no Estado. Na série apresentada pelo sistema da Sejusp-MS, na última década, foram 22.591 vítimas de estupro, sendo que 16.366 registros foram em residências, número muito superior aos demais pontos dessas ocorrências.
Depois das residências, aparecem propriedades rurais, com 2.995 registros, e vias urbanas, com 2.590. Também foram contabilizados casos em escolas (504), estabelecimentos comerciais (439), estabelecimentos de saúde (237), órgãos públicos (173) e outros locais.
Crianças são maioria entre as vítimas
Os dados da Sejusp-MS mostram as ocorrências por idade. Crianças de 0 a 11 anos formam a maior faixa etária entre as vítimas, seguidas por adolescentes de 12 a 17 anos.
A classificação utilizada pela Sejusp considera como criança quem tem de 0 a 11 anos, adolescente quem tem de 12 a 17, jovem de 18 a 29, adulto de 30 a 59 e idoso quem tem mais de 60 anos.
Mais de 2 mil vítimas por ano
Na série histórica apresentada, o número de vítimas oscilou, mas permaneceu acima de 2 mil na maior parte dos anos analisados.
Em 2016, foram 2.006 vítimas. O número subiu nos anos seguintes e chegou a 2.303 em 2019. Depois de uma redução em 2020 e 2021, os registros voltaram a crescer e atingiram o maior patamar da série em 2023, com 2.658 vítimas.
Em 2024, foram 2.412 vítimas, enquanto 2025 terminou com 2.220.
Já 2026 aparece com 1.398 vítimas, mas o número não deve ser comparado diretamente com os anos anteriores, porque a base atualizada da Sejusp contempla dados somente até 18 de setembro.
Considerando os 10 anos completos mais recentes (2016 a 2025), a série histórica dos crimes de estupros em MS é:
- 2016: 2.006 vítimas (ano com menores casos da última década)
- 2017: 2.206 vítimas
- 2018: 2.247 vítimas
- 2019: 2.303 vítimas
- 2020: 2.139 vítimas
- 2021: 2.123 vítimas
- 2022: 2.277 vítimas
- 2023: 2.658 vítimas (ano com mais casos)
- 2024: 2.412 vítimas
- 2025: 2.220 vítimas
Bairros em Campo Grande com maiores ocorrências
Na distribuição das ocorrências em Campo Grande, o Jardim Noroeste aparece com o maior número de registros entre os bairros, com 242 casos. Confira o ranking:
- Jardim Noroeste: 242
- Nova Lima: 183
- Jardim Aero Rancho: 152
- Centro: 151
- Jardim São Conrado: 142
- Jardim Los Angeles: 137
- Parque do Lageado, Campo Grande: 130

Raça/cor tem grande volume de registros sem informação
Outro ponto que exige atenção leitura dos dados é a raça/cor das vítimas.
A categoria “não informado” reúne 12.866 registros, enquanto aparecem 5.088 vítimas pardas, 3.078 brancas, 493 indígenas, 391 pretas e 43 amarelas.
Por isso, os números não permitem afirmar que a maioria das vítimas é parda. O que se pode dizer é que, entre os registros em que essa informação foi preenchida, a categoria parda é a mais numerosa.
O painel estatístico da Sejusp é uma ferramenta pública de consulta e reúne informações sobre ocorrências, vítimas e outros indicadores de segurança do Estado. A atualização ocorre mensalmente, conforme as regras informadas no próprio sistema.

