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Charlie Kirk: quem era o líder conservador morto a tiros em universidade nos EUA

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Charlie Kirk, de 31 anos, fundador da organização conservadora Turning Point USA (TPUSA), foi morto nesta quarta-feira (10) durante um evento no campus da Universidade de Utah Valley, em Orem, Utah. O ativista discursava para cerca de 3 mil pessoas quando foi atingido por um disparo de longa distância. Ele chegou a ser levado ao hospital por seus seguranças, mas não resistiu.

De acordo com a polícia universitária, o atirador teria agido de um ponto elevado dentro do campus. As forças de segurança evacuaram prédios e pediram que alunos e funcionários permanecessem abrigados até a retirada completa. O diretor do FBI, Kash Patel, informou nas redes sociais que um suspeito foi detido e posteriormente liberado após prestar depoimento. “Nossa investigação continua e continuaremos a divulgar informações em prol da transparência”, afirmou.

Início da trajetória política

Nascido em 1993, em uma família de classe média alta de Chicago, Charlie Kirk ganhou notoriedade ainda adolescente. Aos 18 anos, fundou a Turning Point USA, organização voltada para mobilizar estudantes em defesa de pautas conservadoras como livre mercado, responsabilidade fiscal e governo limitado.

O grupo cresceu rapidamente e, hoje, mantém filiais em mais de 850 faculdades americanas. Além de registrar novos eleitores, organiza palestras, debates e grandes convenções anuais que reúnem lideranças políticas republicanas. Em 2016, a TPUSA tinha orçamento de US$ 4,3 milhões. Em 2023, a receita já ultrapassava US$ 92 milhões, segundo registros oficiais.

Kirk também construiu carreira como comunicador. Ele apresentava um podcast diário, escrevia livros e acumulava milhões de seguidores nas redes sociais. Seus vídeos, muitas vezes gravados em debates com estudantes, abordavam temas como identidade de gênero, mudanças climáticas, fé e valores familiares.

Aliado de Trump, Charlie Kirk foi baleado e morto durante evento nos EUA (foto: Trent Nelson)

Relação com Donald Trump

Kirk se consolidou como um dos aliados mais próximos de Donald Trump. Durante o governo republicano, afirmou ter visitado a Casa Branca mais de cem vezes. Ele também participou da equipe informal que auxiliava na escolha de nomes para o gabinete do presidente eleito em 2024.

Seu podcast abria com um clipe de Trump elogiando sua atuação. O ex-presidente dizia: “Quero agradecer a Charlie, ele é um cara incrível, seu espírito, seu amor por este país, ele fez um trabalho incrível construindo uma das organizações juvenis mais poderosas já criadas”.

Kirk também era amigo de Donald Trump Jr. e defensor do senador JD Vance, escolhido por Trump para a chapa republicana. Em eventos privados, foi descrito como “uma das estrelas do rock do movimento conservador”.

A proximidade com Trump rendeu a Kirk espaço nas maiores convenções republicanas. Em 2020, ele foi o responsável pelo discurso de abertura da convenção nacional do partido. No mesmo ano, publicou o livro “The MAGA Doctrine”, que se tornou best-seller.

Defesa de armas

O controle de armas estava entre os temas que ele costumava discutir em eventos e podcasts. Há alguns meses, Kirk disse: “Infelizmente, vale a pena arcar com o custo de algumas mortes por armas de fogo todos os anos para que possamos ter a Segunda Emenda”.

Ele disseminou visões anti-transgênero e ceticismo em relação à pandemia de covid-19, e também promoveu publicamente a falsa alegação de que a eleição de 2020 foi roubada de Trump.

Mas alguns enfatizam que Kirk apreciava e encorajava o debate sobre diferentes ideias. “Todo o seu projeto foi construído para superar as diferenças e usar a fala, não a violência, para abordar e resolver os problemas!”, disse William Wolfe, diretor executivo do Centro de Liderança Batista, no X.

Presença polêmica

Apesar da popularidade no meio conservador, Kirk acumulou controvérsias por defender teorias da conspiração como marxismo cultural, globalismo e negar os efeitos das mudanças climáticas.

O ativista estava casado com Erika Frantzve, ex-Miss Arizona, e tinha dois filhos. Eles estavam presentes no evento em Utah no momento do disparo.

 

 

 

*texto com informações BBC

 

Leia também: “Vamos bloquear tudo”: França protesta contra nomeação de Lecornu

 

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