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Com corrida acima de R$ 100, funcionário apelou para carona amiga em dia de greve

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A greve dos motoristas do transporte coletivo de Campo Grande pegou todos os usuários do serviço de surpresa na manhã desta segunda-feira (15). Muitos precisaram desembolsar com carros de aplicativo, que aproveitaram a demanda e subiram os preços.

O social media Allan Torres de Araujo, de 21 anos, se assustou quando viu o valor da corrida, por volta das 8h: R$ 106, do Jardim Anache para a região Central. “Quando vi o valor que estava, percebi que compensava perder um dia de trabalho do que pagar esse valor”, relatou a reportagem. 

Ainda segundo o jovem, o mesmo trajeto costuma sair por volta de R$ 18 a 25 reais, em dias de semana normais. Mesmo que tenha ficado sem o transporte público, Araujo apoia a greve. “Não tiro a razão deles, pois também são trabalhadores”, disse. Ele conseguiu ir para o serviço graças a uma carona. 

A paralisação do serviço ocorre após o Consórcio Guaicurus informar ao STTCU (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande) que não possui caixa para efetuar os pagamentos, e alega falta de repasses por parte da Prefeitura de Campo Grande. 

Segundo o sindicato, o salário de dezembro está atrasado há seis dias, o vale do dia 20 de novembro não foi pago e a categoria também não conseguiu usufruir da primeira parcela do 13º salário, que deveria ter sido depositada dentro do prazo legal. Além disso, a segunda parcela do décimo terceiro tem vencimento até o dia 20 de dezembro, o que agrava ainda mais a situação financeira dos trabalhadores.

Entretanto, no fim da manhã de hoje, a prefeitura negou qualquer dívida existente com o Consórcio. “Além de pagar em dia, o município antecipou pagamento. Só neste ano, por meio de vale-transporte e subvenção, foram repassados mais de R$ 35 milhões ao consórcio”, afirmou o diretor da Agereg (Agência Municipal de Regulação), Otávio Figueiró. Ele também insinuou que o sindicato dos trabalhadores está sendo usado pelo consórcio, alegando que há “inverdades” na narrativa de falta de pagamento.

Até o fechamento desta reportagem os ônibus ainda não haviam voltado a circular na cidade. 

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