Certamente você já ouviu alguém dizer: estou com os nervos “a flor da pele”, quando a pessoa está “à beira de um ataque de nervos”, quando qualquer faísca se transforma num grande incêndio. Se assim já foi no passado, hoje está bem pior. Não é alguém que está com os nervos à flor da pele, é o mundo todo, o mundo em guerra, uma guerra que nem sempre usa armas de fogo, mas utiliza palavras em chamas, que ferem ou matam até mesmo as pessoas mais próximas.
O mundo contemporâneo vive sobressaltado, o cotidiano vive sob tensão. O resultado disso é o descontrole frente a uma manobra desatenta no trânsito, a uma mensagem mal interpretada, a uma reunião que caminha em desacordo, tudo e qualquer coisa pode resultar em irritabilidade ou hostilidade ou até mesmo maior violência.
Compreende-se facilmente que a saúde mental é vítima do comportamento da humanidade, viver à beira de um ataque de nervos é viver em estado de hipervigilância, sob estresse contínuo. Permanecer assim, é provocar aumento do estresse, insônia, exaustão emocional, desencadeamento de ansiedade e de outros transtornos mentais.
Parece que estamos vivendo em constante emergência, à espera do próximo golpe, inundados de cortisol e adrenalina, sem capacidade de optar entre a luta ou a fuga e com dificuldade de distinguir entre o real e o fictício.
As redes sociais nos mantêm hiperconectados, com excesso de notícias verdadeiras e falsas, que causam um turbilhão de informações, vinte e quatro horas por dia, muitas vezes confusas, com ação negativa sobre a nossa saúde mental. A apreensão com o futuro faz que a ansiedade se torne nossa eterna companhia, pouco toleramos as frustrações e nos irritamos com facilidade, explodimos frequentemente.
O corre-corre do mundo moderno não nos dá chance para encontrar uma válvula de escape. É provável que não consigamos resistir e o que parecia um esgotamento passageiro pode transformar-se em tristeza profunda. Vem o isolamento social por falta de forças ou pelo medo de explodir e a solidão agrava o sofrimento psíquico.
O que era nervosismo vira apatia, desmotivação e uma tristeza profunda. Perdemos a clareza mental, vemos a perda de nossa capacidade de focar, memorizar e tomar decisões simples. As incertezas nos dominam. A mente e o corpo pedem socorro. Está passando da hora de valorizar a saúde mental, isso é questão de sobrevivência.
Nosso cérebro necessita ser descarregado do lixo que vem se apoderando dele. Precisamos de pausas das redes sociais; é importante estabelecer horários para dormir e fazer isso pelo tempo ideal de sono, de sete a nove horas por dia; exercícios físicos e uma alimentação balanceada são outros pontos necessários.

Precisamos nos adaptar ao novo tempo ou sucumbimos a ele. Já não estamos apenas com os nervos da flor da pele, passamos deste ponto, urge a necessidade de ajuda e nesse momento esperamos contar com profissionais não atingidos pelo caos, o que atualmente, é algo muito difícil, afinal o mundo todo está à beira de um ataque de nervos.
O importante é que façamos a nossa parte, a qualquer tempo da vida presente e futura, principalmente agora, dentro deste momento angustiante de polarização eleitoral, de expressivo aumento do sofrimento psíquico. Devemos evitar a transformação de cada encontro familiar em debate eleitoral. Preservar vínculos é mais importante do que disputar opiniões ou vencer discussões invencíveis, uma vez que na democracia não é possível controlar a opinião alheia. Cuidar da saúde mental em meio a tudo isso é um ato de lucidez e resiliência.

