O sistema socioeducativo de Mato Grosso do Sul deu mais um passo na consolidação e profissionalização da carreira com o início do curso de formação dos novos agentes e analistas aprovados no concurso público realizado em setembro de 2025. A capacitação começou nesta segunda-feira (23), em Campo Grande.
O curso é realizado no auditório da Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul, na Capital. Ao todo, 95 aprovados participam da etapa final do certame, sendo 69 agentes e 26 analistas – entre eles, 13 assistentes sociais e 13 psicólogos.
Os novos servidores irão atuar no sistema vinculado à Sejusp-MS (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), com a missão de ressocializar adolescentes autores de atos infracionais análogos a crimes.
Durante a aula magna, a superintendente de Assistência Socioeducativa, Tatiana Rezende Nassar, destacou que a atuação na área exige preparo técnico e equilíbrio emocional. “O sistema exige profissionais preparados técnica e emocionalmente para atuar com sensibilidade, seriedade, imparcialidade e rigor funcional. A proposta é oferecer, além da segurança necessária, orientação e valores éticos que possibilitem aos adolescentes a construção de novos projetos de vida”, afirmou.
O presidente da Adepol-MS, delegado André Matsushita Gonçalves, ressaltou que a função exige responsabilidade e firmeza. “O agente socioeducativo exerce uma atividade de extrema relevância e também de risco, com atribuições que exigem discernimento e compromisso, em muitos aspectos semelhantes aos desafios enfrentados pelos policiais brasileiros”, disse.
Já o defensor público Edson Cardoso, coordenador do NUDECA (Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente), enfatizou o papel transformador dos novos profissionais. “Vocês têm a responsabilidade de fazer com que esse adolescente enxergue o outro lado, o lado do acolhimento, da oportunidade e de uma vida diferente”, pontuou.
O juiz Jorge Tadashi Kuramoto, da Vara da Infância e da Adolescência de Campo Grande, reforçou que os servidores devem atuar com foco na legalidade e na ressocialização.
“Não são meros vigilantes, mas exemplos capazes de contribuir para que esses adolescentes possam vislumbrar um novo horizonte.”
Concurso marca evolução da carreira
O secretário da Sejusp, Antonio Carlos Videira, destacou que investir em segurança pública é estratégico para o desenvolvimento do Estado.
“Segurança pública não é despesa, é investimento. A ausência da segurança pública afugenta investidores”, afirmou.
O atual concurso representa um marco na consolidação da carreira socioeducativa. O último certame, realizado em 2013, não contou com etapas como teste de aptidão física, avaliação psicotécnica ou curso de formação estruturado.
Desde então, a carreira passou por mudanças importantes, como a reorganização promovida pela Lei nº 4.894/2016 e a elevação da exigência de escolaridade para nível superior no cargo de Agente de Segurança Socioeducativa, em 2018. Em 2025, a Resolução nº 1.050 definiu perfis profissiográficos dos cargos, alinhando parâmetros técnicos e comportamentais às atribuições da função.
O Curso de Formação Socioeducativa possui matrizes curriculares específicas para cada cargo:
Analista de Medidas Socioeducativas: 80 horas de formação, com foco técnico, normativo e psicossocial.
Agente de Segurança Socioeducativa: 120 horas, com ênfase ampliada na área operacional e técnicas de segurança.
Entre as disciplinas estão fundamentos institucionais, direitos humanos, adolescência e processos psicossociais, práticas restaurativas, segurança e gestão de riscos, saúde e primeiros socorros, além de estágio supervisionado.
Atualmente, o sistema socioeducativo de Mato Grosso do Sul conta com 236 agentes e 45 analistas, distribuídos em nove unidades, entre Unidades Educacionais de Semiliberdade (UESL) e Unidades Educacionais de Internação (UNEI), nos municípios de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá.


