domingo, novembro 1, 2026

Corregedoria encontrou 49 celulares lacrados dentro de saco de lixo em delegacia; agentes são investigados

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As diligências daquela ocasião vieram após uma denúncia segundo a qual uma carga de aparelhos celulares havia sido apreendida na rodovia por policiais civis da unidade, “sendo que parte dela sequer havia sido formalmente lançada no boletim de apreensão respectivo”.

Os suspeitos eram os policiais civis Marcos Vinícius de Souza Melo e Vagner Ramalho. Ambos foram alvos de uma operação do Ministério Público nesta sexta-feira (28) que apura um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro para facilitar o contrabando no estado. Ambos tiveram a prisão preventiva decretada. A Folha de S.Paulo não conseguiu identificar as defesas.

A Corregedoria encontrou na ocasião outros seis celulares lacrados na mesa de Melo. Ele foi chamado a comparecer à unidade, mas “limitou-se a fornecer remotamente a senha eletrônica de acesso à sua sala, sem se apresentar pessoalmente”, diz o Gaeco.

Os investigadores também apreenderam num cofre da unidade dois revólveres calibre.38 e R$ 19,5 mil em espécie, valor para o qual não havia qualquer justificativa, segundo o Ministério Público.

O local de trabalho de Ramalho também foi vistoriado durante as diligências da Corregedoria. A sala estava trancada, com luzes acesas e computador ligado, “circunstâncias aptas a denotar a possibilidade de terem os investigados se evadido ou se retirado às pressas do local”, conforme o Gaeco.
Um servidor teria buscado a chave da porta com o próprio Ramalho, “o qual, todavia, não estava presente nem se dispôs a comparecer”. Dentro da sala havia R$ 4.000 em espécie e mais três aparelhos celulares.

O Gaeco diz que as diligências da Corregedoria naquela ocasião revelam o mesmo “modus operandi dos episódios de corrupção já apurados: abordagem de veículo de carga em parte desacompanhada de notas fiscais, ausência de lavratura formal e completa do boletim de apreensão”.

Apontam também para a “solicitação de vultosa vantagem pecuniária para restituição” dos produtos.

Segundo o Ministério Público, Melo e Ramalho se valeram da função pública e do próprio aparato estatal para cometer crimes mesmo cientes do risco de serem pegos.

“Não há razão para supor que a mera tramitação do presente feito os dissuadirá de continuar fazendo o mesmo”, escreveram os promotores Carlos Gaya, Luiz Fernando Bugiga, Juliano Atoji, Danilo Pugliesi e Yuri Fisberg, todos do Gaeco, ao pedir a prisão de ambos os agentes.

A Justiça foi na mesma linha. “A manutenção da liberdade colocará a comunidade e o próprio Estado em grave risco, sendo imprescindível a prisão dos investigados para evitar que crimes graves tornem a ocorrer e cessar a atividade criminosa desenvolvida pela organização”, escreveu o juiz Djalma Moreira Gomes Júnior, da Vara das Garantias de Osasco, ao autorizar a operação desta sexta.

Leia Também: Cachorro perdido invade reportagem ao vivo da Globo e é reconhecido e resgatado por tutora

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