Proponente da CPI da Saúde, vereador Jean Ferreira (PT), atualizou, nesta sexta-feira (5), o número de adeptos à investigação parlamentar, em Campo Grande. São oito os vereadores que entendem que a apuração pode ajudar a resolver o caos do serviço na Capital.
Conforme o petista, os adeptos são ele próprio e os colegas de partido, Luiza Ribeiro e Landmark Rios; o vereador André Salineiro (PL); Maicon Nogueira (PP); Fábio Rocha (União Brasil); Flávio Cabo Almi (PSDB) e Marquinhos Trad (PV).
Apesar das oito assinaturas, o pedido de investigação só pode ser apresentado com dez nomes. A abertura de uma comissão também exige objeto definido e prazo para conclusão dos trabalhos.
Argumentos
O petista aponta indícios de má-gestão e irregularidades . Entre os pontos sombrios estão 12 ambulâncias enviadas pelo governo federal, que ficaram paradas, além de contratos supostamente mantidos artificialmente com empresas privadas de transporte de pacientes.
Jean também citou o uso de R$ 156 milhões da saúde para pagamento de folha salarial, o que segundo ele, teria ocorrido enquanto existe uma “folha secreta milionária”. O vereador mencionou ainda a falta de medicamentos e endividamento com fornecedores.
Resistências
Parte dos que são contra à Comissão diz externar confiança no atual secretário de Saúde, Marcelo Vilela, que também chefiou a Sesau na gestão Marquinhos. O vereador Delei Pinheiro (PP) alega que a prefeita e o secretário foram à Câmara segunda-feira (1º) e entregaram uma programação ”muito concreta” de melhora na Saúde nos próximos meses.
”Acredito no secretário. Creio que em 90 dias vai melhorar muito. Depois desse prazo, veremos”, refletiu Pinheiro.
Professor Juari (PSDB) se apoia em outra CPI, a do Transporte Coletivo, para barrar a investigação a favor do contribuinte campo-grandense.
”Qual o resultado da CPI do consórcio Guaicurus? No final, a Comissão entregará aos órgãos controladores um relatório sobre a Saúde, mas eles já têm detalhado isso. Então entendo que CPI é desperdício de recursos”, avaliou Juari. Pela lógica do parlamentar, nenhuma outra investigação na cidade poderá ser aberta em razão de uma anterior não ter sido satisfatória aos olhos dele.
A vereadora Ana Portela – que foi membro da CPI do Transporte Coletivo e celebra suas conquistas – não vê necessidade em investigar a saúde por meio do instrumento legislativo. Ela disse ser a favor de apurações, mas que os objetos que sustentam o pedido da Comissão já são alvo de apurações, como aquisição de ambulâncias do SAMU pelo MPF; contrato da Santa Casa (MPE-MS) e irregularidades na USF Alfredo Neder e UPA Leblon.
Porém, ao contrário da justificativa de Ana, o contrato do consórcio com o Município também já era alvo de diversas ações na Justiça e, mesmo assim, foi aberta CPI para investigar as suspeitas.
”Meu gabinete atua de forma técnica. Não assino por assinar. Se houver uma CPI com eixo bem definido, objeto claro e finalidade complementar às apurações já existentes, ela terá minha atenção”, justificou.
O médico e vereador Dr. Jamal Salém foi enfático ao dizer que é contra a comissão. ”Sou contra. Sou a favor do diálogo”.
O vereador Rafael Tavares (PL) brada que é favor da investida parlamentar, mas só se esta abranger a gestão Marquinhos Trad.

