A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul revelou novos detalhes sobre o funcionamento do grupo extremista investigado na Operação Lívia, que teve a segunda fase deflagrada nesta semana. Em entrevista, a delegada responsável pelo caso, Anne Trevisan, explicou como os suspeitos se aproximavam de adolescentes e utilizavam informações pessoais para ameaçá-los e induzi-los a práticas de automutilação.
Segundo a investigação, os integrantes começavam a abordagem em redes sociais. A partir de fotos e informações publicadas pelas próprias vítimas, eles identificavam adolescentes consideradas mais vulneráveis e criavam perfis falsos para estabelecer contato.
Depois, os suspeitos levavam as vítimas para plataformas como Discord e Telegram, onde passavam a se apresentar como amigos. Com o tempo, conseguiam informações pessoais e utilizavam esse conteúdo para fazer ameaças e pressionar os adolescentes a cumprir as ordens do grupo.
De acordo com a delegada, as vítimas eram submetidas a práticas de violência e automutilação como parte das exigências feitas pelos integrantes dos grupos virtuais.
“As meninas, as adolescentes, elas vão para esse grupo para praticar contra si automutilação. Elas precisam se cortar e escrever o nome dos seus donos com sangue. Eles têm nomes específicos sobre tudo isso. Banheiro, sobre Bíblia, sobre e a cama. Então ela e vários outros adolescentes são vítimas, elas praticam contra si automutilação”, disse a delegada.
A investigação também relaciona o esquema à morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, em Mato Grosso do Sul.
12 pessoas são investigadas
Até o momento, a Polícia Civil identificou 12 suspeitos de envolvimento com os grupos. Um deles é maior de idade e os outros 11 são adolescentes, principalmente entre 13 e 17 anos.
Os menores foram apreendidos durante a segunda fase da operação, realizada em Mato Grosso do Sul e em outros estados. Cinco deles foram posteriormente liberados pela Justiça de Mato Grosso do Sul.
A polícia, porém, ainda não considera o número definitivo. Celulares e computadores apreendidos durante as duas fases da Operação Lívia estão sendo analisados e podem revelar a participação de outras pessoas.
Material extremista foi encontrado
Segundo a Polícia Civil, entre os materiais encontrados nos equipamentos apreendidos estão conteúdos de apologia ao neonazismo, abuso sexual infantil e maus-tratos contra animais.
Os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes como homicídio qualificado e organização criminosa.
Maioria das vítimas é formada por meninas
Outro alerta feito pela Polícia Civil é sobre o perfil das vítimas. Segundo os investigadores, a maioria é formada por meninas, muitas delas com algum grau de isolamento social e que passam longos períodos conectadas.
A orientação aos pais e responsáveis é acompanhar mudanças de comportamento e observar a relação de crianças e adolescentes com ambientes virtuais, especialmente quando há isolamento do convívio social e uso excessivo de computadores ou celulares.
A investigação continua para identificar todos os integrantes e vítimas relacionados aos grupos.
Precisa de ajuda?
Para quem precisa de apoio emocional, além de acionar a rede de apoio, o acolhimento inicial pode ser feito através do número 188, o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), que é válido em todo território nacional e é gratuito.
Além disso, o site Mapa da Saúde Mental pode ser utilizado para encontrar um serviço mais próximo, trazendo informações sobre acolhimentos gratuitos ou de baixo custo.
O Sistema Único de Saúde (SUS) promove a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que fazem o acolhimento para quem precisar sem necessidade de agendamento.
Os serviços de atenção básica, conhecidos como postinhos de saúde, também podem realizar consultas com enfermeiras, promovendo um acolhimento inicial no momento de sofrimento.
Há ainda instituições sem fins lucrativos que oferecem apoio e informação:
- Centro de Valorização da Vida
- Associação Brasileira dos sobreviventes Enlutados por Suicídio
- Instituto Vita Alere
- Rede Pode Falar (para jovens de 13 a 24 anos)
- Instituto Bia Dote

