Operação Make Up cumpre 49 mandados de busca e apreensão e apura possível desvio de recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produção
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (10), a Operação Make Up para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos relacionados à produção do filme Dark Horse, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão.
Entre os alvos da operação estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora do filme. Duas entidades ligadas a Karina — o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura — também são alvo das buscas realizadas pelos agentes federais.
Investigação apura destino de emendas parlamentares
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a existência de uma possível organização criminosa formada por agentes públicos e privados que teria utilizado recursos provenientes de emendas parlamentares.
A suspeita é de que valores públicos repassados a uma organização da sociedade civil tenham sido posteriormente direcionados a empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação de que os serviços contratados tenham sido efetivamente realizados.
Ainda de acordo com as informações da investigação, a Polícia Federal identificou movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que teriam ligação com o esquema. Os investigadores também apontam que possíveis tentativas de ocultação dos recursos teriam continuado até julho deste ano.
Entre os crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos relacionados a licitações.
Caso tramita no Supremo Tribunal Federal
A investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito teve origem na Justiça de São Paulo e posteriormente foi encaminhado ao Supremo.
O filme Dark Horse também é mencionado em outra investigação que tramita no STF, desta vez sob relatoria do ministro André Mendonça. Esse segundo inquérito examina repasses realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso, após solicitação atribuída ao senador Flávio Bolsonaro, além do caminho percorrido pelos recursos.
Já a investigação conduzida por Flávio Dino concentra-se nas suspeitas relacionadas ao uso de emendas parlamentares e de recursos públicos que teriam chegado a entidades e empresas ligadas à produção do filme.
Até o momento, as apurações estão em andamento e os fatos investigados ainda dependem da conclusão das autoridades competentes. A operação busca reunir documentos e outros elementos que possam esclarecer a origem, o destino e a eventual irregularidade na utilização dos recursos públicos.

