domingo, setembro 13, 2026

Editora da ‘Madame da Gráfica’ tinha até especialista para fugir de licitação em MS

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Gaeco viu estranheza em diversos contratos de vendas de livros didáticos sem licitação em MS. A investigação percebeu que esse era o modus operandi da quadrilha – chefiada pela dentista Rossana Paroschi Jafar – que fraudava compras públicas e contava com atuação de um especialista em licitações. Ou melhor, na dispensa delas.

Sem licitações, o negócio criminoso funcionava mais rápido. E a propina também. Embora a investigação do Gaeco ainda não tenha especificado valores dos livros vendidos, sem a concorrência, o preço do produto não seria necessariamente o mais barato. 
Rossana é viúva de Micherd Jafar Júnior, dono de gráfica que foi investigada por fraude em compras públicas de livros e falecido em 2021. A Gráfica e Editora Alvorada LTDA sofreu uma devassa da Polícia Federal no âmbito da Operação Lama Asfáltica, nos idos de 2015.  

Com a morte do ”patriarca”, Rossana – em tese – ordenou que a nora, Rhayane Fanaia, que atuava no ramo de brechó, abrisse a gráfica Avante, em São Bernardo do Campo (SP). A empresa ganhou dezenas contratos milionários, a maioria sem licitação. E isso chamou a atenção dos investigadores. 

Dona de brechó virou ”laranja” da sogra em editora (Foto: WhatsApp) 

Especialista

A apuração também revelou que o advogado especialista em licitações, Gabriel Taquino de Paula, atuava junto de prefeituras a fim de ”vender” os livros da Avante para as gestões. Ele, inclusive, fazia parte de um conselho que reunia 14 cidades de MS e tinha prerrogativa de emitir pareceres por licitações ou dispensa delas. Ivinhema é um município do grupo que pagou valor quase milionário para a editora.  

Taquino, conforme mostra conversas de WhatsApp, negociava diretamente com prefeitos do interior, quando estes vinham para a Capital. Ele recebia tanta propina pelos contratos fraudulentos que brincou com a possibilidade de ”se aposentar”. 
Gabriel atuava junto do coordenador da Regulação da Saúde de MS, Ed Carlo Burgatt. Este chantageava prefeitos e dizia abertamente que, caso não contratassem a editora, não teriam direito à regulação de pacientes dos municípios para hospitais regionais nem a exames. 

O então chefe da Regulação responde: ”vou trancar (a regulação)… vou ligar pro prefeito… vou ajudar um monte de prefeito pra nada”, disse ao comparsa. Em outro trecho, Burgatt disse que iria ter reunião com o prefeito e iria emparedá-lo: 

”Aí ele decide o que é melhor pra população dele. Saúde Zero”, disse o criminoso, recebendo do comparsa uma risada: ”kkk”. 

Prisões

Ed Carlo Burgatt, Gabriel Taquino e Rossana Jafar foram presos junto a pelo menos outros nove envolvidos. A organização criminosa tinha diversos núcleos e contava com empresários, servidores públicos e comerciantes de diversos ramos de atividade, que recebiam parte da propina, a fim de despistar os órgãos de controle sobre a origem criminosa. 

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