Uma empresa de combustíveis de Várzea Grande está entre os alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada na manhã desta quinta-feira (24). A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo a compra da distribuidora Terrana e a circulação de mais de R$ 120 milhões por empresas, fundos de investimento e contas intermediárias.
O mandado de busca e apreensão é cumprido na unidade da Terrana Combustíveis, nome pelo qual é conhecida a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., localizada na Avenida Júlio Domingos de Campos, no bairro Jardim Eldorado, em Várzea Grande.
Ao todo, são cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em sete estados: Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e Espírito Santo.
A operação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal. Também participam a Secretaria da Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e as polícias Civil e Militar.
Compra de distribuidora é investigada
A investigação concentra-se na aquisição da Terrana. Segundo o Gaeco, o grupo investigado teria montado uma estrutura financeira e societária considerada complexa para assumir o controle da distribuidora e ocultar patrimônio e os verdadeiros responsáveis pelos ativos.
Entre as estruturas analisadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda., constituídas meses antes da operação de compra da distribuidora.
De acordo com o Ministério Público, mais de R$ 120 milhões teriam circulado por diferentes empresas e contas usadas como intermediárias antes de chegar à estrutura responsável pela aquisição da Terrana.
Entre as companhias citadas na investigação estão Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi.
As suspeitas são baseadas em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), documentos bancários, informações fornecidas pelo Banco Genial, análise de movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em etapas anteriores da investigação.
Segundo os investigadores, conversas encontradas nos aparelhos também indicariam o uso de pessoas interpostas, os chamados “laranjas”, para esconder os verdadeiros controladores de empresas e ativos.
Ex-executivo do Genial está entre os alvos
Entre os alvos das buscas desta quinta-feira estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, os irmãos André e Bruno Tupinambá e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos.
Humberto Tupinambá trabalhou no Banco Genial desde agosto de 2022 e é investigado por supostas ligações com o esquema entre 2024 e 2025, período em que ainda atuava como executivo da instituição.

Antonio Carlos Freixo Junior também firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações relacionadas ao extinto Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Segundo o Gaeco, a estrutura investigada teria sido liderada por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, chamado de “Primo”.
Os dois são apontados pela investigação como líderes da organização, mas não aparecem entre os alvos dos mandados de busca e apreensão desta terceira fase.
O que diz o Banco Genial
Em nota, o Banco Genial informou que Humberto Tupinambá não integra a diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando foi destituído.
A instituição afirmou que forneceu ao Gaeco informações sobre operações envolvendo o Fundo Radford e as empresas Berna e Branson Holdings e que também realizou as comunicações cabíveis ao Coaf.
O banco declarou ainda que, após tomar conhecimento dos fatos, adotou medidas adicionais de governança e controle, abriu procedimento interno, revisou a governança de operações de crédito e afastou o então diretor dos processos decisórios antes da destituição.
Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, o Genial informou que renunciou à administração do Fundo Radford e continuou colaborando com as autoridades.
As investigações seguem em andamento.

