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Enfermagem trabalha no limite com corte nos plantões e falta de materiais básicos em Campo Grande

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Com falta de insumos básicos nas unidades de saúde de Campo Grande, profissionais da linha de frente trabalham no limite, tirando do próprio bolso, lidando com humilhações de pacientes, enquanto prefeitura reduz pela metade bonificações de plantões, inclusive do fim de ano, na Capital.

A situação de abandono com a saúde, segundo os profissionais, atinge principalmente a enfermagem, categoria que mais atua diretamente com os pacientes.

Denunciante, que preferiu não se identificar, afirmou que a rotina há tempos vem sendo feita no improviso. “Estamos a mercê. Trabalhamos na linha de frente, segurando as pontas com o mínimo, e mesmo assim cortam nossos plantões. É desumano”, relata após saber do decreto de redução de bonificação dos plantões, que foi publicado no diário municipal da sexta-feira (7).

Ela explica que faltam desde itens básicos até equipamentos essenciais como seringa de 5 ml, de 10 ml, medicação e até falta de lençóis. “Tem UPA em que o próprio gerente está tirando do bolso para comprar álcool líquido”, disse.

Segundo ela, até eletrocardiogramas estão sem funcionar há dias em algumas unidades.

A profissional alerta que a precariedade afeta diretamente o atendimento à população. “O paciente deita em maca sem lençol descartável porque não tem. A gente administra medicação, coleta exames, faz acesso, faz curativo, faz tudo e sem condições mínimas. Depois o paciente xinga a gente, porque não entende que a culpa não é nossa”, desabafa.

O decreto publicado no Diário Oficial reduziu valores dos plantões diurnos, de fins de semana e também dos plantões de fim de ano, tradicionalmente remunerados em 100%. Agora, a gratificação passa a ser de apenas 50%.

“Ninguém comunicou nada. Simplesmente saiu no diário. A enfermagem vai perder mais do que todo mundo, porque somos os que mais fazem plantão. A gente deixa a família no fim do ano para trabalhar e, mesmo assim, tiram metade do que recebíamos”, lamenta.

Ela reforça que a indignação não é apenas financeira, mas estrutural. “A gente trabalha no limite. É sobre se virar com o que tem, é sobre não parar mesmo sem insumo. E ainda assim a prefeitura não reconhece, não valoriza. Pelo contrário, corta”.

A reportagem entrou em contato com a prefeitura para questionar a falta de insumos como álcool líquido, seringas e lençóis nas unidades de saúde e também para saber o motivo da redução das bonificações dos plantões, e para onde serão destinados os recursos economizados com esse corte, e aguarda retorno.

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