O engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a esposa Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, no ano passado, em Lucas do Rio Verde (MT), foi transferido de uma clínica psiquiátrica particular para o Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho, em Cuiabá. Uma vaga teria surgido na instituição pública, o que gerou a mudança de Frasson para a unidade, onde deve permanecer internado.
A informação foi confirmada pelo assistente de acusação, o advogado Rodrigo Pouso Miranda, contratado pela filha de Gleici, a biomédica Caroline Fernandes.
De acordo com o advogado, a internação do acusado em clínica privada teria custado R$ 200 mil aos cofres públicos por conta da falta de vaga no CIAPS Adauto Botelho. Com a vaga, a Justiça determinou a transferência dele para a unidade pública para continuidade de tratamento.
Em vídeo publicado em rede social, Pouso afirma que, junto ao Ministério Público (MPMT), juntou ao processo vídeos divulgados no mês passado que trouxeram à tona novos fatos para o caso, entre eles, imagens de câmeras de segurança da casa da família feitas dias antes do crime e no dia do ocorrido.

De acordo com Pouso, a intenção é que seja feita nova perícia de insanidade mental no acusado para verificar as condições psicológicas dele. Por enquanto, Frasson fica internado até nova análise judicial.
“O Juízo de imediato mandou encaminhar o Daniel para o Adauto Botelho, que é um lugar público, onde acontece a internação de pessoas com problema mental. Então ele não está mais na clínica particular, porque a clínica era na ausência de vaga no Adauto Botelho. Como tem vaga lá, então é lá que ele tem que aguardar por enquanto. Por enquanto, ele está alegando uma inimputabilidade, da qual vamos provar que ele não é inimputável”, enfatizou.
Veja vídeo.
Laudos indicam inimputabilidade de acusado
Dois laudos elaborados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) atestaram a inimputabilidade do engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson. Os procedimentos foram feitos atendendo ao incidente de insanidade mental, para verificar a capacidade do réu de se autodeterminar a tempo do fato.
Segundo a Politec, a primeira perícia foi realizada, por determinação judicial, em 11 de setembro de 2025. Posteriormente, ele passou por reavaliação em 5 de dezembro do mesmo ano.
O primeiro laudo atestou que Daniel seria considerado inimputável em razão de quadro depressivo. Contudo, a Justiça acolheu manifestação do Ministério Público (MPMT) e determinou nova avaliação.

O segundo laudo atestou o diagnóstico de esquizofrenia e bipolaridade ao engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson. Conforme apuração do Primeira Página, o exame concluiu pela inimputabilidade de Daniel. O documento foi juntado ao processo após a conclusão do procedimento em 22 de junho.
A sequência de exames foi feita tanto a pedido da defesa de Frasson, que alega surto psicótico e incapacidade do réu de discernir atos, quanto pela acusação, que contestava os resultados e métodos.
Família de Gleici contesta ‘surto’
Imagens de câmeras de segurança da casa da família foram divulgadas pelo advogado Rodrigo Pouso em 6 de setembro e mostram momentos vividos dentro da residência nos dias que antecederam o crime e também na manhã do ataque.
Em trechos anteriores, Daniel e Gleici aparecem conversando e discutindo sobre questões financeiras e objetos da casa. O advogado utiliza essas cenas para sustentar que o agrônomo demonstrava atenção a valores e ao patrimônio familiar antes do crime.
No dia do assassinato, Daniel aparece circulando pela residência. Depois, vai até a cozinha, pega uma faca e segue em direção ao quarto onde estavam Gleici e a filha. Pouco depois, retorna à sala com sangue pelo corpo.
Outro ponto destacado pelo advogado são registros anteriores ao crime que, segundo ele, mostram conflitos dentro da residência.
Uma mensagem exibida no material mostra uma familiar de Daniel orientando Gleici a esconder as facas da casa. Conforme o advogado, dois dias antes do ataque teria ocorrido ameaça contra Gleici e a filha.
Crime e comoção em Lucas do Rio Verde
Daniel Bennemann Frasson é acusado de matar a esposa, Gleici Keli, em 24 de junho de 2025. Em seguida, ele atacou a filha, de 7 anos, que dormia junto da mãe, na casa da família, na Avenida das Acácias, bairro Bandeirantes, em Lucas do Rio Verde. As duas foram atingidas por diversos golpes de faca.
No local, a polícia entrou no quarto e encontrou Gleici na cama, sem sinais vitais. Já a filha do casal foi socorrida pela irmã e amigos da família e encaminhada a um hospital na cidade. Posteriormente, foi transferida para a unidade de saúde em Cuiabá, onde passou por procedimentos e ficou internada.
A criança sobreviveu e hoje vive com a irmã Caroline.

