A cidade de Rio Verde de Mato Grosso (MS) está prestes a encarar uma mudança histórica: deixar o nome atual para se tornar Rio Verde do Pantanal. O projeto de lei que propõe a troca está em tramitação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e já foi aprovado por unanimidade na Câmara Municipal. Mas a mudança ainda depende de uma etapa decisiva: um plebiscito com os moradores.
A proposta, apresentada pelo prefeito Réus Fornari (PP), tem como principal objetivo associar o município ao bioma Pantanal — um dos maiores patrimônios naturais do mundo — e, com isso, reforçar a identidade regional e impulsionar o turismo. Rio Verde tem cerca de 23 mil habitantes e nada menos que 57,9% do seu território dentro da área pantaneira.
Apesar da intenção nobre, a possível mudança de nome tem dividido opiniões.
“Rio Verde do quê?”
Para quem vive na cidade, o debate está nas ruas, nas redes sociais e nas rodas de conversa. Tem quem veja a mudança como uma jogada estratégica e necessária. A assistente administrativa Bianca Dorneles, de 28 anos, acredita que o novo nome pode acabar com uma confusão comum. “Muita gente acha que a gente está no estado de Mato Grosso. Quando colocarem ‘Pantanal’, vai ficar mais claro que é no Mato Grosso do Sul.”
Brendo Diniz, 23, concorda: “O nome é bonito e valoriza o Estado. Faz referência a algo que faz parte da nossa realidade.”
Entre os mais jovens, a proposta tem boa aceitação, especialmente pelo apelo turístico. Ana Flávia Rezende, também de 23 anos, acredita que o nome do Pantanal pode trazer mais visibilidade à cidade. “As pessoas vão começar a associar mais com o que realmente somos. Isso ajuda a colocar Rio Verde no mapa do turismo.”
Mas e a saúde?
Nem todo mundo está entusiasmado. O empresário Cosme Almeida, de 64 anos, mora em Rio Verde há quase quatro décadas e vê a ideia com cautela. Para ele, a prioridade devia ser outra. “A saúde tá ruim. Será que agora é hora de gastar com isso? Será que não tem coisa mais urgente?”, questiona.
O temor de que a mudança traga custos desnecessários ou desvie o foco das necessidades básicas é compartilhado por parte da população. Ainda assim, a proposta segue avançando.
Próximos passos
Para que a mudança de nome seja oficializada, o projeto precisa cumprir uma exigência prevista na Constituição Estadual de Mato Grosso do Sul: a realização de um plebiscito, ou seja, uma consulta direta à população.
Isso significa que os moradores de Rio Verde terão a palavra final sobre a troca de nome. O processo é conduzido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), que será responsável por organizar e definir a data da votação, bem como as regras de campanha e divulgação.
No plebiscito, cada cidadão apto a votar poderá responder “sim” ou “não” à pergunta sobre a mudança de nome do município. O resultado das urnas será soberano: se a maioria votar a favor, o nome “Rio Verde do Pantanal” será adotado oficialmente. Caso contrário, a cidade continuará sendo chamada de Rio Verde de Mato Grosso.
Esse tipo de consulta pública é obrigatório em casos que envolvem alteração na identidade oficial de um município, justamente por se tratar de uma decisão que impacta diretamente a história, a cultura e até documentos legais da população local.
Até lá, o debate segue nas ruas — e o futuro nome da cidade será decidido onde mais importa: na voz do povo.



