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Escassez de diesel preocupa agronegócio em MS e já afeta atividades em São Gabriel do Oeste

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Produtores relatam dificuldade para encontrar combustível e aumento expressivo no preço em meio à colheita da soja e plantio do milho safrinha.

A escassez de óleo diesel e a alta recente nos preços do combustível têm preocupado produtores rurais em Mato Grosso do Sul. Em São Gabriel do Oeste, agricultores relatam dificuldades para abastecer máquinas e até paralisação de atividades no campo em meio à colheita da soja e ao plantio do milho de segunda safra. As informações são da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), que acompanha o cenário no estado.

Situação já impacta produtores em São Gabriel do Oeste

Em São Gabriel do Oeste, produtores afirmam que a dificuldade para encontrar diesel já começa a afetar diretamente as operações agrícolas.

“Está muito difícil conseguir combustível. Hoje consegui compartilhar 5 mil litros a R$ 8 o litro. Em São Gabriel do Oeste, na sexta-feira, já pararam atividades por falta de combustível”, relatou o produtor Almir Daspasqualle.

O diesel é considerado um insumo estratégico para o agronegócio, sendo essencial para o funcionamento de colheitadeiras, tratores e plantadeiras, além do transporte da produção e dos insumos agrícolas.

Colheita e plantio seguem em ritmo intenso

A preocupação ocorre em um momento de intensa atividade no campo em Mato Grosso do Sul.

De acordo com dados do projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, a colheita da soja já alcançou 63,3% da área estimada de 4,8 milhões de hectares no estado. Isso representa mais de 3 milhões de hectares colhidos até o último dia 6 de março.

Somente na primeira semana do mês, cerca de 930 mil hectares foram colhidos, avanço de 19,4%.

Paralelamente, o plantio do milho de segunda safra também avança rapidamente. Até o momento, 65,7% da área estimada já foi semeada, o equivalente a 1,449 milhão de hectares.

O esforço dos produtores busca garantir o cultivo dentro da chamada “janela ideal”, considerada mais segura do ponto de vista climático para o desenvolvimento da cultura.

Relatos de aumento no preço do combustível

Diretores da Aprosoja/MS em diferentes regiões do estado também relataram dificuldades no abastecimento e aumento expressivo no preço do diesel nos últimos dias.

“Em Dourados, hoje estamos pagando R$ 6,80 pelo litro do diesel. Há uma semana pagávamos R$ 5,50”, afirmou Luis Alberto Novaes.

“Hoje o preço subiu mais de R$ 1 por aqui também, e o volume está muito restrito. Em duas distribuidoras não tem diesel”, relatou Eduardo Introvini.

Na região do Vale do Araguaia, em Água Boa (MT), produtores também enfrentam problemas de abastecimento.

“Aqui já estamos há uma semana sem diesel. Em Goiás, que nos atende, a situação também é complicada: há oito dias estava R$ 5,90, três dias atrás foi para R$ 6,80 e hoje já falaram em R$ 7,80 o litro”, afirmou Geraldo Loeff.

Outros produtores também apontam restrições no fornecimento.

“Mesmo pagando à vista nas refinarias, estão liberando apenas 50% do volume que comprávamos antes”, destacou Pompílio Silva.

“Aqui em Sidrolândia também está complicado. A Unipetro não entregou mais. Consegui um pouco com a Santa Izabel para terminar de plantar o milho, mas a R$ 6,68 o litro”, relatou Paulo Stefanello.

Cenário internacional exige atenção

A Aprosoja/MS destaca que a escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, adiciona um novo elemento de atenção para os produtores rurais.

Embora o cenário internacional gere apreensão nos mercados de energia, a entidade reforça que é fundamental acompanhar os desdobramentos com cautela e evitar movimentos especulativos que possam ampliar artificialmente os preços do combustível.

Monitoramento do abastecimento

A entidade afirma que segue monitorando permanentemente qualquer mudança no cenário internacional e seus possíveis reflexos sobre o abastecimento e os preços do diesel em Mato Grosso do Sul.

Segundo a Aprosoja/MS, o momento exige prudência e responsabilidade por parte dos agentes do mercado. Movimentos especulativos ou aumentos desproporcionais de preços, sem justificativa concreta na cadeia de abastecimento, podem gerar impactos desnecessários ao setor produtivo.

Para a associação, o acompanhamento da cadeia de abastecimento de combustíveis e o cumprimento dos estoques mínimos obrigatórios nas distribuidoras são fundamentais para evitar pressões artificiais sobre os custos de produção.

A prioridade, segundo a entidade, é garantir que a colheita da soja e o plantio do milho safrinha avancem sem interrupções em um dos períodos mais estratégicos do calendário agrícola de Mato Grosso do Sul.

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