domingo, maio 17, 2026

Esquema de corrupção em tapa-buracos começava nas medições falsas para superfaturar valores

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Uma estrutura organizada, com funções bem definidas e uma cadeia de comando alinhada, teria sustentado por anos um esquema de fraudes milionárias em contratos de tapa-buracos da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) de Campo Grande. É o que apontam as investigações da operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada nesta terça-feira (12) pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Conforme as apurações feitas pela reportagem, o grupo atuava de forma coordenada para fraudar medições de serviços de manutenção viária, liberar pagamentos indevidos e desviar recursos públicos sem que o serviço fosse efetivamente prestado para a cidade. O prejuízo estimado chega a R$ 113,7 milhões.

No centro do esquema aparece a Construtora Rial Ltda, empreiteira que acumulou mais de R$ 122 milhões em contratos de tapa-buraco e manutenção de vias entre 2018 e 2025, segundo levantamento feito no Portal da Transparência. Fundada em 2003, a empresa tem capital social declarado de R$ 10 milhões.

A fraude seguia uma “cadeia vertical” de validação interna. Segundo apurado pelo Ministério Público, o coordenador do tapa-buracos da Sisep, Edivaldo Aquino Pereira, seria responsável por operacionalizar as medições em campo. Como peça inicial, ele delimitava nas planilhas buracos maiores do que os realmente existentes, inflando os volumes de serviço executados.

Documentos internos da prefeitura e termos de referência de 2023 e 2025 mostram Edivaldo assinando requisições de materiais para asfaltamento, como termômetros de solo e discos de corte, além de atestar necessidades de recuperação do pavimento.

Na sequência da cadeia administrativa, apareceria o engenheiro Mehdi Talayeh, apontado como responsável pela supervisão técnica e pelo aval de engenharia dos serviços executados. Servidor comissionado da prefeitura desde 2020, com salário de até R$ 19 mil, Mehdi ocupava função estratégica dentro da Sisep.

Já o ex-secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese, seria, conforme o MPMS, o responsável final pela autorização dos pagamentos milionários. Fiorese comandou a Sisep desde 2017 e deixou o cargo após ter sido alvo da Operação Cascalhos de Areia, em 2023.

A investigação aponta que o grupo utilizava contratos de manutenção viária para liberar pagamentos por serviços que não correspondiam ao executado nas ruas da Capital.

Durante o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão, investigadores encontraram pelo menos R$ 429 mil em dinheiro vivo em imóveis ligados aos alvos da operação.

Além de Rudi, Edivaldo e Mehdi, também foram presos os servidores Fernando de Souza Oliveira e o ex-servidor Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula. No núcleo empresarial, foram alvo Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, ligados à Rial Construtora.

‘Operação Cascalhos de Areia’

Alguns investigados já haviam sido citados anteriormente na Operação Cascalhos de Areia, deflagrada em junho de 2023. Na ocasião, o MPMS apurava suspeitas de peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro em contratos de manutenção de vias não pavimentadas que ultrapassavam R$ 300 milhões durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad (PV).

Naquele inquérito também apareceu o empresário André Luís dos Santos, conhecido como “Patrola”, proprietário das empreiteiras ALS dos Santos e ALS Transportes. Segundo denúncia recebida pela 3ª Câmara Criminal, as empresas teriam vencido licitações fraudadas para favorecer interesses ligados ao grupo investigado.

O MPMS sustenta que os serviços pagos pela prefeitura não correspondiam ao executado, provocando prejuízos aos cofres públicos e comprometendo a qualidade da pavimentação em Campo Grande. Assim como aconteceu novamente com o esquema de corrupção em cima do tapa-buracos da cidade.

Prefeitura culpou gestão passada

Ao falar sobre a operação e o teor da investigação ‘Buraco Sem Fim’ que apura fraude no sistema de tapa-buracos em Campo Grande, a prefeitura ‘jogou a culpa’ na gestão de Marquinhos Trad.

“Esclarecemos que se refere a contratos de manutenção de vias pavimentadas firmados desde 2017, em gestão passada”, diz o texto.

Porém, a informação divulgada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) aponta que os contratos foram firmados entre 2018 e 2025, incluindo a gestão da atual prefeita Adriane Lopes (PP), que assumiu Campo Grande em abril de 2022 e deu continuidade aos contratos.

Exoneração

Os servidores Edivaldo Aquino Pereira, Mehdi Talayeh e Fernando de Souza Oliveira foram exonerados da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) após serem presos durante operação que investiga corrupção no setor de tapa-buracos da prefeitura.

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